domingo, março 01, 2009
Silêncios
não dizer nada
Dizer pouco ou nada
quer dizer muito ou quase tudo
Porque o silêncio
acalma-nos a alma
traz-nos paz
Porque se falarmos pode correr mal
Porque não sabemos como ou o que dizer
Nunca como agora
o pensar antes de falar fez tanto sentido
As pessoas que falam demais cansam-me
as pessoas que exibem exasperam-me
Que precioso o nosso cantinho
o poder caminhar pelas ruas
de mãos nos bolsos
a contemplar as luzes
e não ter que dizer nada
só ver e ouvir os sons que nos chegam
e sorrir
que preciosos aqueles que não precisam de festivais para viver
para saborear um simples momento
eu comigo ando
comigo falo
comigo me entendo
Não me peças para falar
Começam-me a faltar as palavras
os argumentos perspicazes que tanto adoras
as brincadeiras intermináveis que te fazem sorrir
Deixa-me ficar agora
aqui quieta
Deixa-me equilibrar
Respirar fundo
Não quero pensar
Não quero saber
Só quero caminhar
como se nada mais existisse
como se não houvesse relógios e pessoas
Fazes-me bem
Porque de tão cansada que estás
Queres falar tanto ou menos que eu
E porque não precisamos falar para saber
para compreender
que precisamos parar para equilibrar
As palavras pensadas
as imagens fabricadas de uma felicidade planeada
fazem-me sorrir
Como é que era mesmo?
Que perfeitas molduras com muita base e pouca vida
Deixemo-las viver os seus teatrinhos
esperando que um dia
nos deixem viver como gostamos
Cansada....
@16/02
Adeus
e eu digo ainda bem
Acredito que te fará bem
Te fará crescer mais um pouco
E quem sabe libertares-te
de tudo o que trazes fechado
aí dentro
Sonhei-te eterno
Criei-te perfeitamente perfeito
Acreditei que eras tu
Mas na verdade
Enganei-me e enganei-te
Tu sempre foste tu
Igual a ti mesmo
Nunca quiseste ser mais
Foi curto o engano
Mas deixaste as tuas marcas em mim
Assim como deixei algo de mim em ti
Desejo que deixes
os teus fantasmas para trás
E que sejas o alguém de quem te deseje como és.
@14/2
domingo, novembro 30, 2008
Auto-Retratos
Riem-se com a minha suposta vaidade
E eu encolho os ombros e sorrio
Se eles soubessem
Se por um instante suspeitassem da verdade
ficariam em pânico
Como se diz aos nossos anjos que nos estamos a perder
Como se explica a quem gosta de nós
que fazemos auto-retratos para não nos esquecermos
de quem somos
de quem fomos um dia
Não é fácil
Sei que caminho por uma linha ténue entre a lucidez e a confusão
Sei que por vezes me esqueço de quem sou
e onde estou
Vejo-me ao espelho e não sei de quem é esse rosto
que me olha de volta
Sou eu, e mais alguém dentro de mim
Eu não me quero esquecer de mim
E para isso preciso perpetuar momentos
Guardar recordações e memórias
sob a forma de retratos
Para me segurar a esse fio
cada vez mais fino que me mantem
deixem-me ficar com o que posso
antes que tudo se acabe
antes que se vão de mim
os sons, as cores, os gostos
tão meus
a minha vontade
Se vos contasse o pânico e a dor
que por vezes carrego
Achar-me-iam louca?
Se vos dissesse que me esqueço
de ser e de viver
Deixariam de me falar?
Não tenho o direito de vos fazer ficar
por isso deixem-me tirar retratos
deixem-me guardar imagens, memórias
Do que fiz
Do que vivi
Do que sou
e um dia do que fui
@12 Nov 08
sexta-feira, novembro 14, 2008
Por vezes
A mente bloqueia e tenta esquecer
O contrário significaria
Algo muito interessante
Mas extremamente ruinoso para nós
@12/11
segunda-feira, outubro 27, 2008
to forgive or to forget
It’s the capacity to forgive or to forget
Can you have them both?
For those who forgive
There’s a simple question
Do we forget?
Do we really forget?
Or we just don’t care anymore
For those who forget
It’s easier
Simplicity over peace
Lay down your arms
And stop…to think
And maybe continue one day
@24/10
segunda-feira, outubro 20, 2008
Um caso mais
Mesmo quando temos a certeza
que damos por dar
inconscientemente queremos receber
E quando damos alegria
esperamos receber um sorriso
uma gargalhada
é inevitável
E quando damos um carinho
esperamos receber outro em troca
Porque sim
Porque é essa a nossa identidade
Há quem diga que sou fria
e que não me dou
Mas aprendi que não podemos dar muito
Porque a apetência de dar algo
a alguém não dura para sempre
O tempo, o momento, o lugar
mudam e com isso muda o desejo
a vontade e as pessoas a quem dar
Tenho verdadeira adoração pelos meus amigos
Mas tenho consciência que para me manter lúcida
Não posso dar de mais
Quem dá de mais
fica vazio, oco
Perde-se nos intercâmbios
e depois temos o problema de dar
Existe uma leveza das pessoas em dar
Quase uma leviandade
Dão muito mas que é na realidade muito pouco quando pesado
Porque dão o que não importa
o que não conta
Da minha alma para a tua
diz-me o que te posso dar que não tenhas já?
Enquanto for um bom dia
está combinado
Enquanto for um Olá
Por mim perfeito
Mas se me pedes sentimento e emoção
esquece lá isso
Porque quando damos
estupidamente as pessoas querem mais
e ou enchemos as pessoas e elas vão embora
ou não damos mais
e elas vão embora na mesma
Pobres daqueles que nunca se satisfazem com o que têm...
@17/10
Manufacture
menos os sonhos
sonhamos livremente
o que queremos
e o que não queremos
Podemos fabricar palavras
Acções
mas não os pensamentos
as emoções que nos fluem
as lágrimas que nos caem
quando tentamos sorrir
Eu sei que tudo vai ficar bem
tem que ficar bem
Nada dura para sempre
Nem o bem
nem o mal
Fabricamos, construímos
pedaços de vida
embalados em sensações
Caminhamos pela dita
sozinhos
na esperança
que alguém lá ao fundo
nos encontre
e nos acompanhe
Fabricamos comportamentos
Porque têm que ser
Porque é o que se espera de nós
E nós à espera de viver
Substituímos a peças
os amigos
os lugares
Tudo para continuarmos a construir
a fabricar a realidade
vinda dos sonhos
do inconsciente onde nos refugiamos
Quem disse que não custava
estava a ser irónico, no mínimo
Ás vezes apetece desistir
Destruir todos os castelos
que construímos por aí
mandar tudo pelos ares
e começar de novo
Mas teremos nós o direito
de decidir pelos outros
de os substituir só porque
nós queremos andar
e eles parar
Podemos nós mandar fora as pedras
que um dia erguemos e construíram um castelo
onde fomos felizes
Podemos mesmo desperdiçar
Deitar fora o tempo "perdido"
com esses seres
É que o tempo não se fabrica
não se constrói
e é escasso
muito escasso...
@17/10
Cansei
De ficar parada à espera
de aguardar
Quem? Como? Porquê?
De que vale a pena...
Cansei de ouvir
Sempre as mesmas conversas
De escutar sempre as mesmas desculpas
Cansei de compreender
Cansei de entender o ridículo
Não me apetece falar
Não me apetece ouvir
Só me apetece ir
Ir, desaparecer
Falar comigo sobre mim
Dizer-me que não estou errada
Por não querer parar
Por não aceitar a doença nem a dor
Por recusar a passividade
que conduz à "imbecilidade"
Já não suporto mais
as pessoas, os lugares
e nem tento disfarçar
para quê?
Para aceitar a cobardia
Para aceitar que as pessoas não são o que aparentam ser
Não sou mais forte
Não sou melhor
Simplesmente recuso-me a parar
a deixar a vida passar-me ao lado
com ou sem amigos
não vou parar
não vou perder o melhor
para me lembrar do pior
Se tenho dores?
sim tenho muitas dores
e muitos dias apetece-me chorar
e isso por acaso vai fazer passar mais rápido?
Desculpem a frieza
Para alguns será crueldade
Mas dos "fracos" não reza a história
e eu gosto de uma boa história
e quero vive-la
@17/10
segunda-feira, julho 14, 2008
Parei e perguntei
a quem passava
recebi o silêncio como resposta
Parei e olhei o céu
perguntei
e ele nada respondeu
continuei na senda frenética
parando e perguntado
sempre
nunca recebi resposta
Talvez porque existem coisas
que não têm resposta
que não têm razão de ser
simplesmente acontecem
Engolimos a injustiça ou lutamos?
Baixamos os braços ou refutamos?
Andei mais um pouco
e perguntei de novo
De novo o silêncio foi a resposta
Quem sabe se algum dia
alguém responderá
Talvez um dia deixe de perguntar
Mas nunca deixarei de querer saber
Simplesmente não perguntarei mais...
@10/07/08
Os anjos também tropeçam
e caem
magoam-se e choram
sentem a dor mais que qualquer outro mortal
Mas são anjos
e logo se levantam
sacodem o pó das roupas
e começam
recomeçam a andar
passo a passo primeiro
voltando aos poucos
a ganhar a confiança
que lhes permitirá correr
pular, e até voar
abrindo novamente as suas asas
e embalando-nos a todos
no seu teu regaço
como sempre fizeste
como sempre o farás
tu és o nosso anjo
ferido e perdido
com raiva do mundo
à pergunta porquê eu?
talvez porque sim
mas talvez porque és especial
és única
um anjo
e às vezes os anjos também caem
Mas nunca nunca desistem
e nós sabemos disso
gosto muito de ti meu anjo
@10/07/08
sábado, julho 05, 2008
O concerto que não era um concerto
simples desconhecidos
percorrendo o pavilhão
para a frente e para trás
numa grande comunidade
improvisada
Os erros de casting pagam-se caros
neste caso o local
o concerto em si nunca deveria ser no pavilhão
ou em qualquer outro recinto fechado
Quando se canta sobre as estrelas, e o mar
e a liberdade de sermos nós
não se pode simplesmente
compactar e "isolar"
os significados
o simbolismo
Para um concerto ideal
Existe a musica
o local
as pessoas
e daí cria-se o momento
O concerto foi assim
o concerto ideal no local errado
e com as pessoas erradas
Por muito que se deva agradecer o esforço
Pessoas e concertos são por vezes incompatíveis
e devemos aceitar tal
E assim o concerto
passou de ídilico a bom
e sentimos o tempo a passar
e o momento a percepcionar
acaba por não ser concretizado
nem verdadeiramente sentido
Há noites assim...
@26/6
Espelho
somos o espelho uns dos outros
e eu interrogo-me
Será mesmo assim?
Teremos todos dentro de nós
as mesmas percepções,
as mesmas visões do que fizemos
e do que queremos fazer
Saberemos todos nós
que nos movimentamos com os mesmos passos;
impulsionados pelos driver's que pulsam em nós
orientados pela pele e pelo sabor
pelo olhar e pelo cheiro
Podemos ser o espelho uns dos outros
mas tem que ser bem lá no fundo
no que se encontra escondido
para além da nossa memória
E que só surge quando chamado para
uma memória colectiva
onde tentamos desesperadamente encontrarmo-nos
e encontrar aquilo que deixámos lá atrás...
a nossa inocência
o acreditar que todos somos boas pessoas sempre
e que não anda meio mundo a passar por cima
dos restantes
@23/6
Cansaço
Quando nos cansamos das pessoas pior ainda
Estou cansada das pessoas que me rodeiam
da patetice e do vazio inerente a estas
Não são todas, existem aquelas que façam o que fizerem
vou gostar sempre delas
vou querer ouvi-las sempre
e estar com elas a cada momento
Mas tirando essas, não consigo já disfarçar
o tédio que me causam
esses seres vazios e pedantes
que passam pela vida de forma abstracta
com o único intuito de se arrastarem
ao longo dos anos sem quererem saber mais
aprender, ouvir, escutar
conhecer o que está para além da sua vida pequena e fechada
Fecham os olhos ao que é diferente
Criticam outros por o serem
E não consigo compreender
Não consigo entender o que leva a minha geração
a não ser
a não viver
@23/6
um dia produtivo
existem pessoas que passam
mas ao sair deixam em nós
um bocadinho deles
Existem aqueles que fazem tudo por nós
mesmo que seja para nos nos sentirmos culpados no fim
para nos cobrarem no momento seguinte
Existem os que passam, ficam para um café
e depois desaparecem deixando boas ou más recordações
mas apenas isso recordações
memórias de momentos soltos no tempo
E os outros aqueles que chegam,
ficam, perdem-se e voltamo-los a encontrar
para nunca mais os perder
porque nos fazem falta
porque temos saudades
de falar sem nada dizer
de trocar as lágrimas pelos sorrisos
de rir sem razão
e de acreditar que nunca nada nem ninguém
nos deixará cair e afastar para longe
os nossos sonhos
@23/6
domingo, abril 13, 2008
We'll never stand alone again
Nunca mais ficaremos sozinhos
Não precisaremos de paz e de calma
de nós próprios
para crescer, para aprender
Não precisaremos nós
de ficar connosco
para sentirmos, para sabermos
Odiamos a solidão
porque não suportamos ouvir a nossa voz
Será?
Ou será a ambiguidade do dilema
A dualidade de sensações
Que nos leva a querer ficar sós
e ao mesmo tempo acompanhados
Uma coisa é verdade
O ser humano é extraordinário
Habitua-se a tudo
Acostuma-se com uma facilidade incalculável
a viver
a sobreviver
nas mais agrestes condições
Depois de estarmos sozinhos
Quereremos abdicar do nosso espaço
do nosso tempo
Para ficar com alguém?
É possível
porque nos habituamos e voltamos a rever
os parâmetros
Toda a teoria
Toda a disciplina
que nos guia e nos faz guiar
We'll never walk alone
never again
@11/04
Fontes
Existem palavras que aliviam
Que nos fazem sorrir
Que nos fazem odiar
Palavras atrás de palavras
Percorremos o diálogo
Como que esperando
aguardando o tempo certo
para dizer aquela palavra
para "responder à letra"
Numa escalada inconsequente
que nos leva ao inferno
ou nos conduz ao céu
de qualquer forma
respondemos sempre
mesmo mentalmente
não deixamos de responder
de justificar
Porque somos os que somos
E o mais importante
porque gostamos de ser assim
e não queremos mudar
não queremos que nos mudem
E chocamos com a intolerância
e a incompreensão
de quem acha que tem razão
de quem se julga dono e senhor
de quem não gosta de ser quem é
Mas não consegue mudar
Caríssimos
Mudem vão ver que não custa nada
Quanto a mim
esqueçam-me
porque não vou mudar
não quero
não preciso
Sou tudo e mais alguma coisa
por mim perfeito
Não justifico
o meu ser
o meu saber
E de volta às palavras
E às fontes
As fontes são do pior
de palavra em palavra
novamente na dança do diálogo
subindo e descendo
as emoções
as percepções
on and on and on
@ 08/04
quinta-feira, março 13, 2008
Sweet 30...afinal nem todos chegam lá
Alguém próximo de mim
Ao relembrar a proximidade do meu aniversário
E da chegada dos “intas”
Escreveu “Sweet 30...afinal todos chegam lá”
E nesse instante pela minha mente
Passaram vários rostos, vários sentimentos
E percebi que não era assim
Live fast, die young
Quantos de nós gostaríamos
De ter coragem para seguir
Na íntegra esse apelo associado à natureza humana
Alguns de nós
Infelizmente para os que ficam
Felizmente para os que foram
Conseguiram-no
E afinal nem todos chegam lá
A esses a minha sentida homenagem
Porque beberam cada segundo
Respiraram cada minuto
Como se fosse o último
Até ao fim
Depois existem os outros
Os que por cá continuam
Mas que saíram da nossa vida
Tal como entraram
Nas passagens das fases
Na evolução do ser
As pessoas vão entrando e saindo
Da nossa vida
Atraídas por outros lugares
Por outros sons
Quando paro
Nas raras vezes em que o faço
Sinto pena
Reconheço algum vazio
De pessoas que foram importantes
E a falta que ainda hoje
Elas me fazem
30 anos, 30 amigos
Nem por isso
Amigo é algo tão raro
Tão único
Que ter 30 amigos
É sempre de desconfiar
Mas sim gostaria
De ter aquelas 4/5 pessoas
Com quem cresci
Com quem aprendi
E isso sim
Seriam uns sweet 30
@07/03
Lucidez
A falta de lucidez com que conduzimos
A realidade que nos envolve
Quantos de nós temos a percepção clara
E unívoca do que nos separa da insanidade?
Quantos de nós perante a fronteira
Sabem quão perto estão de a passar?
Sei exactamente a cada momento
Onde estou e onde posso ficar
Se continuar a caminhar
Tenho a clara percepção que a linha
Que me separa do non-sense
É fina, finíssima
E que passando perco o sentido da realidade
Deixo de responder
Deixo de sentir
Deixo de pensar e conceber ideias
E o que aconteceria?
Estarão os outros preparados para
Me deixarem ir?
Me perderem?
Estarei eu preparada para me perder a mim mesma?
@07/03
Da angústia do desejo
Caminhamos pela noite
De mãos dadas
Olhamos a lua
E sorrimos
Cremos que tudo é para sempre
E tudo vai ser sempre assim
Mas ao acordar
Sabemos que nada nunca dura
Para sempre
Vivemos a correr para sobreviver
Naquilo a que chamamos o nosso mundo
O gosto das coisas
O saber viver
Mascarado, disfarçado
Pela incoerência do raciocínio
Não podemos parar
Temos que nos despachar
Temos que acabar
Mas nunca acaba, nunca pára
O mundo gira e gira
E não pára nunca
E nós a correr
Sentimo-nos ultrapassados
Afundados
Deixamo-nos arrastar
Tentas resistir
Mas é impossível
A multidão não deixa
Rostos indistintos
Mãos que nos empurram
Para a frente
Sempre para a frente
Não se pode voltar atrás
Nunca nada ninguém
Deitamos
Levantamos
E continuamos a correr
Cansados, doentes
Seres arrastados pela multidão
Que se avizinha aos nosso pés
Sofremos na pele, a angústia, a dor
O corpo a pedir para parar
Mas parar é pensar
E pensar dói...muito
Preferimos não parar, não pensar
Continuar a correr sempre
Até ao fim
E morrermos como vivemos
Depressa demais
@23/02
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Tristes
Cabeças baixas
olhos semifechados
transportamos no rosto
o desalento
uma dor que não percebemos
mas que nos faz sentir pequenos
E não conseguimos reagir
Não conseguimos acreditar
que vai mudar
que não pode ser sempre assim
E eu pergunto a todos aqueles
que à minha volta
se tornaram meros reflexos
Porquê?
Porque não reagem
porque não vêem além da escuridão
Voltar a acreditar é tão simples
uma flor
um som
um cheiro
É tão pouco e
contudo é tudo
é o mundo enrolado
numa onda
é a beleza da vida
da mesma vida em que já não acreditamos
Gostamos de complicar
o que é simples
Dói? Muito mas provavelmente
vai continuar a doer para sempre
no matter what
Por isso não vale a pena
Há que aprender
Re-aprender os pequenos gestos
que de tão simples
nos parecem inalcançáveis
empolados pela ausência
de conhecimento
Há quem se tenha esquecido de viver
ou de agradecer por estar vivo
e poder aproveitar
Olhamos à nossa volta
e temos que nos sentir afortunados
porque sabemos sentir
o gosto das coisas
porque vibramos com os sons
porque fazemos "fotossíntese"
Como "tolos"
deitamo-nos ao sol
e ficamos
parados
simplesmente a viver
é tão simples quanto isso
Problemas todos temos
é a capacidade de ver para além
que nos torna diferentes
Sentimos mais a dor
mas também é verdade
que extraímos beleza
onde os outros nada vêem
Dos vazios da mente
construímos castelos na areia
Da escuridão criamos luzes a brilhar
Somos sonhadores
E gostamos de ser assim
Porque somos felizes
Quase sempre
E retiramos da tristeza e da doença
as condições necessárias
para crescer
cada vez mais
em direcção ao sol...
@11/02
A caça e o caçador
Quantos de nós somos caçadores
Quem assume a sua realidade
Pura e nua
Sem máscaras sem luzes
nem sombras
Sabe que é inegável
o sabor da aventura
do mistério
o sangue a pulsar nas veias
a pele a pedir mais e mais
Assumo hoje que sou caçadora
Sempre fui e sempre o serei
Por muito que finja esquecer
Por muito que renegue as origens
é mais forte do que eu
Uma vez caçador
sempre caçador
O que nos move está para além do inexplicável
Não consta das regras da sociedade
Tal como a conhecemos hoje
Vem de longe
dos tempo antigos
onde podíamos ser nós
o gosto, o sabor de conhecer alguém
o flirt de ir desvendando aos poucos
o outro
a primeira saída
o primeiro face to face
o seu perfume no nosso nariz
os nossos olhos nos seus olhos
o ritual uma e outra vez
sem mais nada
o seduzir por seduzir
porque sabe bem
porque nos alimenta o ego
porque nos sentimos imortais
E a pele a arder
Quem o sentiu sabe que é impossível fugir,
Negar-lhe a existência
Somos caçadores
Caminhamos na noite
por entre as tribos
entre os corpos iluminados
Escolhemos com calma
o que interessa vem a seguir
Seduzimos porque somos imunes
Amamos aquilo em que nos tornamos
e de repente tudo acaba
tão depressa como começou
o 1º beijo
é o fim de tudo
está feito
já nada é igual
Perdemos a loucura
De febris passamos a seres racionais e lógicos
Abrimos os olhos e vemos a realidade
Tal como é
E já não queremos
Rejeitamos o presente
E fugimos para o futuro
De volta à tribo
Áquilo que fingimos ser
Até algo de novo nos despertar os sentidos
A febre a subir
Quente, quente, quente
um corpo enrolado no outro
olhos nos olhos
colocações estratégicas de aproximação e fuga
para chegar a um objectivo final
A caça
Somos caçadores
E gostamos de o ser
Mesmo que quando racionais
Tenhamos a consciência de todo o mal
que causámos
E lamentamos
A sério que lamentamos
Mas é mais forte que nós
Somos o que somos
desde o ínicio dos tempo
e até ao fim...
@ 08/02
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Repetição
Repetimos para nós mesmos
para nos convencermos
Repetimos para os outros
para os convencermos
Regra geral de algo que não existe
Essa é a atracção da repetição
"uma mentira dita muitas vezes torna-se verdade"
Convencer os outros é fácil
mas repetimos vezes suficientes
para nós?
Para nos convencermos que é real?
Não somos nós sonhadores por excelência
Em que vivemos em inconstância
entre os sonhos e a realidade
entre o que queremos e que temos
Repetimos
Forçamo-nos a crer
Quando o que a manhã revela
aparecendo subitamente
através das sombras da noite
é algo bem diferente
é algo a que chamam realidade....
Pessoas destituidas de inteligência
Idiotas...
Existem pessoas realmente idiotas por natureza
está-lhes no sangue
na raiz do seu ser
Pode não ser socialmente correcto
mas tem que ser dito
temos que assumir que elas existem
A questão é o que fazemos
quando temos que lidar com eles?
Como agir?
O que dizer?
Na absurda tristeza das suas exposições
No rídiculo dos seus actos
Sentimo-nos X
enjoados, irritados
e os idiotas não percebem
Haja paciência
Máscaras
Ver, sentir, resistir
ao tempo e ao desalento
dos véus inebriantes
que obscuram as faces
da multidão
Ao som do cair das máscaras
fugir
Fechar os olhos e não ver
a expressão viva
dos horrores escondidos
quarta-feira, novembro 21, 2007
Não pensam
Seres errantes
Que caminham algo difusos pelas ruas
Vemos o seu rosto iluminado
pelas luzes
Olhamos os seus olhos e vemos
o vazio
a felicidade obtusa de quem não pensa
de quem não questiona
De quem não sabe que existe um mundo
fora do seu mundinho
Não quer saber
Nem sentir
Existem aqueles seres que vivem
no seu mundo próprio
onde tudo tem um espaço e um tempo
onde as disfunções ficam à porta
Escolheram viver assim
e são felizes
Invejo-os
Eles sim são os sortudos
Porque não sentem
a fome e a sede
a dor e a angústia
de pensar, questionar
Porquê?
De sentir na pele o tempo
a discorrer
e o caos a envolver-nos
Olhamos esses seres de lado
como se fossem idiotas
mas na verdade
eles passam pela vida
e na sua perspectiva
são felizes sempre
pouco os afecta
A esfera criada protege-os
e nós os outros
aqueles que queremos saber sempre
sentir sempre
para aqui ficamos
vivemos a vida
sentimos cada minuto cada segundo
a contar
a arder na pele
as vozes na nossa cabeça
constantemente a pedir mais
e invejamos aqueles que negam a "sabedoria"
e o sentimento
mas são felizes
naquele seu mundo
onde o tempo e o espaço
estão arrumados em prateleiras
devidamente classificadas
domingo, novembro 18, 2007
E se?
Por vezes resistimos
mas a pergunta permanece sempre
E se?
Quantas e quantas vezes revemos o passado
E perguntamos e se?
Se tivéssemos seguido pela direita
e não pela esquerda
Se tivéssemos tido a coragem
de atirar tudo ao alto
e começar de novo
Como estaríamos agora?
Seríamos felizes?
Neste ponto faço mea culpa
e assumo
o mal que fiz, que provoquei
quando em actos de puro egoísmo
paguei para ver
Foram anos e anos a pagar para ver
E se fosses tu?
Perdi amigos, perdi relações importantes
mas segui sempre os instintos e paguei
para ver
O preço esse, salvo raras excepções,
foi sempre alto demais
E se?
Mas embora tenha crescido
e permanecido
As vozes na minha cabeça
as imagens que vejo e revejo
que invento para tentar adivinhar
o que teria acontecido
Apetece-me gritar
Não temos o direito de ser egoístas
Não teremos o direito de
escolher ser felizes?
Não sei se conhecem o filme
"Sliding doors"
Aquele em que um único momento
pode mudar toa uma vida
Num segundo, apanhamos o metro chegamos a casa
e ficamos sem vida
porque descobrimos que somos enganados
Num segundo, perdemos o metro e no dia seguinte nada se passa
e vivemos eternamente uma mentira
É injusto
Deveríamos puder abrir portas no tempo
que nos permitissem viver por
breves instantes
essas vidas paralelas
que nos permitissem saber
como seria
como nos sentiríamos
Congelar o tempo no espaço
de uma vida
E ir atrás
abrir todas as portas e perceber
o que falhou
onde errámos
Seria assim pedir tanto?
PS- não me interpretem mal...adoro a minha vida mas sinto-me incompleta por não saber
E se?
segunda-feira, novembro 05, 2007
Respirar
Breathe in Breathe out
Corro sem parar
Sem descansar
um minuto, um segundo
O tempo sempre a contar
um minuto, um segundo
Tanto para fazer
para ler
para saber
locais por descobrir
sabores por apreciar
um minuto, um segundo
Breathe in Breathe out
Breathe in Breathe out
07.10.27
Reencontros
Passados tantos anos
Conto agora os dias
que faltam para te reencontrar
A ti minha amiga
Minha conselheira
Minha fada madrinha
Contigo sempre pude ser eu
Falávamos de tudo
de nós e do mundo
do mundo e dos outros
Os silêncios enchiam-se de formas,
de significados
Contigo descobri o fado
Descobri o Pessoa, o Álvaro de Campos
O Ricardo Reis
Eras directa, dura e crua
e isso bastava-me
o tempo, as pessoas,
as ideias afastaram-nos
e agora que nos reencontrámos
sinto-me constrangida
Não sei que te dizer
Nem sei por onde começar
Deixei-te parada no tempo...
Saí a correr atrás de uma nuvem qualquer
Que me levasse longe
além mar
que me criasse chuva
E agora que tive a felicidade de te encontrar
Não sei que te dizer
Conseguiremos redescobrir o que fomos
Seremos de novo
a simetria e a lógica
o pensamento e o sentimento
Depois de ti não existiu mais nada
A ligação foi quebrada
e jamais substituída
Até agora
E se tu mudaste? E se eu mudei?
Em breve saberemos...
Pedes
Que esqueça
Que finja que nada aconteceu
Como? Porquê?
Como me podes pedir
que esqueça todo o mal que nos fizeram
todas as injustiças cometidas
As mentiras, as intrigas
a má-formação
Sempre que aceito calar
as vozes na minha cabeça
enlouquecem
berram, esperneiam
odeiam-me
por aceitar calar mais uma vez
por aceitar esquecer
Mas será que se esquece?
Olvidares cada minuto em que te magoam
em que te gozam
em que te copiam
mês após mês
ano após ano
pormenor a pormenor
acessório a acessório
tudo o que seja
necessário para ficar igual
par se possível ficar melhor ainda
ser a melhor
a melhor farsa?
Quem sente não esquece...e se diz que sim é mentiroso
07.10.27
Cansei...
Mais não
Cansei de lutar
de ferir as minhas mãos no gelo que é a tua alma
Cansei da dor
da incompreensão
Cansei
de cavalgar errante
contra os moinhos de vento
"A sorte protege os audazes"
De que? De quem?
A sorte protege os estúpidos
aqueles que não arriscam
aqueles que não criam
Quem ousa ser
é tristemente apanhado nas malhas
Quem ousa falar
é silenciado pelo ruído ensurdecedor
da multidão
Venham a mim todos aqueles
que acreditam que viver dá trabalho
Mas que vale a pena cada segundo, cada minuto
Juntemos as mãos e caminhamos passo a passo
até ao horizonte
o sorriso nos olhos diz tudo
quando já tudo foi dito
quando o nada nos alivia a alma
quando a ausência de estupidez
nos faz incrivelmente felizes,
fantasiosos e livres
quinta-feira, agosto 30, 2007
Único
o que temos é unico
irrepetível
inigualável
dá trabalho é certo
mas não o queria com mais ninguem
Hábitos
Bons e maus
Habituamo-nos
Acostumamo-nos a tudo
Desde o nascimento
Até à morte
a vida de um ser humano
não é mais que habituar-se
àquilo que lhe dão
àquilo que obtém dos outros
e dele próprio
Habituamo-nos a tudo,
ao riso, à alegria,
à tristeza, às lágrimas,
à fome, ao desalento.
Até nos habituamos
à nossa própria solidão
Podemos não gostar
Podemos até odiar
Mas tal como peixes seguindo a corrente
Nós avançamos assim mesmo
como se nada houvesse
que pudesse acabar com esse hábito.
Percorremos sempre os mesmos caminhos,
os mesmos passeios, as mesmas estradas
Frequentamos sempre
os mesmos lugares
convivemos sempre
com as mesmas pessoas
Teremos assim tanto medo
de conhecer mais alguém
de vivermos um dia
diferente do outro
de fugirmos à rotina
aos nossos hábitos
aos nossos costumes.
94.11.03
Tudo porque amanhã...
Eu quero gritar
E correr e voar
Quero chegar além do impossível
Quero viver os meus sonhos
Concretizar os meus desejos
Levem-me até ao mar
Quero mergulhar nele
Quero viver a vida contida nele
Tudo porque amanhã...
Hoje
Quero beber, beber até cair
Deixem-me fazer tudo
por tudo
Quero fazer o pino
Rodar e rodopiar
Dançar até não poder mais andar
Deixem vir a chuva até mim
Quero molhar-me nela
Quero bebe-la
Quero viver a vida num minuto
num segundo
Tudo porque amanhã...
Hoje
Quero amar
E ser amada
Conseguir a felicidade à muito esperada
quero rir
quero sonhar
e viver
muito
Viver para sempre
Quero chorar de tanta dor
Tudo porque amanhã
já não acordarei...
94.11.03
Algures...
além desta vida
deste corpo onde nos encontramos encerrados
Somos espíritos livres
Rebeldes
Pedimos a fama e a glória
dos nosso pequenos actos
Mas pedimos mais
Recusamos as prisões mentais
em que nos enfiam
Recusamos os falsos preconceitos
invenções de covardes
Recusamos ser rotulados
Apenas pedimos
Que nos deixem viver
Libertamos o espírito
Porque não o podemos fazer ao corpo
Viajamos
Sonhamos
Divertimo-nos
Na inconstância desta vida
Onde pelo que dizem
Tudo é relativo
É a relatividade a base de todos os nossos confrontos...
95.04.06
Diários
passei, passeei,
por vezes olhava para trás
mas eram só ecos
de passos antigos
nos paços esquecidos...
na areia
as pegadas sempre apagadas
pelo tempo e a água do mar
E o tempo passa,
longe, num passeio distante,
disse que queria envelhecer contigo
só aprendi com o tempo
e nesta idade
só tenho tempo para ti...
na areia
um relógio de sol
marca o tempo
um dia apagado
pela água do mar...
R.P.C
domingo, agosto 12, 2007
Pormenores
Por muito que as pessoas se esforcem
Por ser aquilo que nunca serão
Por parecer aquilo que gostariam de ser
Tanta esforço tanta farsa
E no fim são os pequenos pormenores
que deitam tudo a perder
que revelam aos outros a verdadeira face
Perdem a cara por não conseguirem ser
algo tão simples como educadas...
sábado, agosto 11, 2007
Nada dura para sempre
hoje caiu uma parte do meu mundo
existem aquelas coisas que sabemos que vão ser para sempre
que vão estar sempre lá aconteça o que acontecer
e de repente esse algo esse item deixa de existir
o mundo roda mais depressa
o chão sai dos nossos pés
e nós não percebemos porquê
porque é que nada dura para sempre
porque é que aquilo que mais temos de seguro se revela mera ilusão
sinto-me atordoada
como se a minha alma estivesse sentada à minha frente a olhar
para mim
para o meu desapontamento
dói-me como se fosse comigo
recuso-me a acreditar que algo eterno se desmorona assim
porque se acreditar
então tudo pode acontecer
e nada é sagrado nem imutável...
e não há certezas
nem finais felizes
e a realidade ganha mais uma vez
segunda-feira, agosto 06, 2007
The words beneath the songs
Rise up my friend
Don’t fall down again
Look at the sky
And fly
Fly away so high
Follow your dreams
Follow your thoughts
I know will meet again
When you stop trying to fly
Over the rainbow alone
So afraid what people might say
But that's ok because we're only human
We’re strong enough
Our image at the mirror
Tel us all we need to know
Rise up
If you're tired of being what is expected
If you're becoming numb
Stop
Look at the sky
And smile
You win again
'cause you know what life tastes
No more lies
No more sorrow
No more envy
In the end what really matters is living
Is flying away
Don't forget your wishes
Open your eyes
And come with us
Fly over the rainbow so high
terça-feira, julho 03, 2007
Amizades
Ser amigo de alguém é difícil
Nem poderia ser diferente
Conhecer os amigos
Criar com eles momentos, frases, histórias
Empenhar o nosso tempo, a nossa pessoa
a ser neles o melhor de nós
por isso dói...
quando percebermos que também nos enganamos
que essa pessoa não sabe de nós aquilo que somos
o que pensamos
por isso custa tanto
aceitar que nos enganamos e que afinal a amizade inquebrável
não passava de acumulação de horas numa qualquer zona de conforto
que tanto temos a mania de criar
por isso que me desculpem os amigos
que ao lerem se vão sentir frustados
mas não quero mais amigos
não quero mais amizades
quero viver o tempo e o momento e só mais nada
dar-vos o meu tempo é dar-vos o melhor de mim
e é só o que tenho para vos dar
não quero mais cortinas a descer
porque depois não está lá ninguém
é frustrante
e incrivelmente estúpido
que no momento em que se pede ajuda a um amigo
o chão nos falte
e nos estatelemos violentamente contra a verdade
Dizem que quem tem muitos amigos é porque não tem nenhum...
Eu nunca quis muitos amigos
Eu sempre quis aquele amigo cujo telefone está na marcação rápida
que ouve o nosso olá
e sabe no instante mais de nós do que queremos contar
Os amigos têm defeitos e nós gostamos deles mesmo assim
por isso é difícil entender quando os defeitos
conseguem superar tudo o resto
e no final
só a sensação de perda
de impotência
perante o desconhecimento do outro
do desinteresse
porque está tudo bem
e não se passou nada...
segunda-feira, julho 02, 2007
Desabafos
(dissertação sobre uma tarde de domingo)
A necessidade de falar, de desabafar
De procurar a compreensão dos outros
De encontrar explicações
De percebermos o que raio nos aconteceu naquele momento...
Desabafar permite exorcizar os nossos receios
Contar aos outros sobre os outros e sobre nós....
Esperando encontrar as respostas que estão mesmo à nossa frente e não queremos ver
Entregamos a nossa alma
e esperamos que nos digam que temos razão
que nós é que sabemos
mas para isso é preciso primeiro sabermos
do que fizemos ou dissemos
assumirmos que erramos
Às vezes por amarmos demais
por querermos demais
às vezes simplesmente porque somos assim mesmo...
"que facil es abrir tanto la boca para opinar..."
conseguem ter opiniões sobre tudo e sobre todos
sobre o que conhecem e sobre o que desconhecem e nem fazem a mínima ideia
Regresso a casa
E eu ainda não encontrei a minha
Procuro incessantemente o lugar
onde em sinta em paz
corro na praia
enterro os pés na areia o mais que posso
fecho os olhos e abro os braços
deixo o calor do sol acariciar-me o rosto
e espero
um segundo
mil segundos
cem horas e nada
nada acontece
abro os olhos
e respiro fundo
olho a paisagem à minha volta
e sorrio
tristemente sei que ainda não cheguei a casa
ainda não encontrei o que levo anos procurando
mas por uns instantes olvido-me da busca
e capto o momento
o instante em que sorri
e senti-me em casa...
quinta-feira, junho 21, 2007
Negro Escuro
A minha alma sente-se negra
diminuída e só
Não consigo partilhar
aquilo que não consigo explicar
Cansada de estar farta e cansada
gostava de ficar
quieta e parada
fechar os olhos e tudo desaparecer
gostava de parar o tempo
deitar-me e deixar o mundo continuar sem mim
escrava de mim e dos outros
e eu? e a minha alma?
abandonar a consciência dos meus passos e flutuar...
elevar-me bem alto
para me deixar cair
as minhas veias pulsam
mas devo renegar a quem sou
para conseguir olhar na cara
daqueles que sempre me pintaram de negro...
daqueles que fingindo ser algo mais...
nos tiram a energia e a alegria
sinto na pele a dor
sinto na alma
a tristeza
de não poder ser quem sou...
só para poder sobreviver mais dois dias...
segunda-feira, junho 04, 2007
Problemas
...2
...1
...
(Santo Agostinho)
sexta-feira, junho 01, 2007
Divagando sobre a vida
para fazermos dela o que quisermos...
copiar outras vidas é esvaziar a nossa
de todo e qualquer sentido
ter sorte dá trabalho
e as oportunidades quando aparecem
têm que ser aproveitadas
pois existem duas esferas nesta vida
Espaço e tempo
Espaço mesmo que o perdemos
será sempre temporário
pois podemos recuperá-lo mais tarde
Tempo é algo que não recuperamos nunca
Uma vida intensa atrai sobre nós
os focos da inveja e do preconceito
como se nós fossemos sortudos
e não tivessemos esse direito
Como se nós fossemos "abençoados"
Como se não fizessemos por o merecer...
Não se iludam
viver dá trabalho
muito trabalho
mas no fim quando alcançamos os sonhos
sentimo-nos bem
extasiados
E isso ao mesmo tempo
que nos liberta
faz com que nos tornemos o alvo favorito
de quem sendo pequeno e triste
mais não faz do que tentar imitar
copiar a vida dos outros
como se esta pudesse ser copiável
como se uma vida pudesse ser
assimilada e adaptada
a qualquer um
A minha vida é minha
única e diferente
e desculpem os pedantes
mas arranjem vida própria
façam-se gente
e tentem criar algum valor
em vez de destruir o que realmente importa
quinta-feira, maio 17, 2007
Lisboa Perdida
Por estes dias redescobri Lisboa...
Não a Lisboa que vejo todos os dias
do barco, do autocarro
Mas aquela Lisboa antiga
e no entanto tão jovial...
Redescobri a Lisboa do Castelo
das escadinhas que nos fazem recuar à nossa infância
A vista lá de cima transporta-nos para a Lisboa das lendas e dos mouros
a Lisboa das sardinhas e das marchas
Essa Lisboa que amamos e tão recorrentemente desprezamos
Sufocamos a cidade com o nosso stress diário
e é com tamanha surpresa
que a redescobrimos
intacta, suspensa à nossa espera
Chama-nos suavemente, discretamente
Sussurra o nosso nome
Acena-nos do alto das colinas
E sorri...
Sorriso de mãe que recolhe no regaço o filho "tresmalhado"
Sorriso de amante que recebe no seu colo o amante desavindo
Sorriso de criança traquina que nos desafia
a brincar, a pular, a rir e a
rodopiar até cairmos
inebriados...
"Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida "
Carlos do Carmo
quinta-feira, maio 10, 2007
Quadros
Imaginemos as famílias como quadros
Temos milhares, milhões de quadros (famílias)
Se me pedissem para descrever o meu quadro
seria em tons de azul
azul céu, azul mar com faixas de cinzento/preto
Nunca fomos uma família funcional
Desde sempre crescemos com a consciência
que poucos requisitos ou nenhuns preencheríamos
para tal
Mas mesmo no meio da tempestade, da dor, da incompreensão
nunca faltámos uns aos outros
era a única forma de sobreviver
de não ser arrastado
e verdade seja dita
tornou-nos naquilo que somos hoje
e temos orgulho no que somos, no que fazemos
e na vida
Mesmo com toda a confusão
nunca nos desrespeitámos
nunca nos mentimos
e o melhor de tudo nunca apanhámos o triste hábito de falar mal de nós
nas costas uns dos outros
e nunca mas nunca nos deixaremos cair
e assim crescemos
sem intrigas, sem mentiras entre nós
mentíamos ao pai para nos salvar a pele
aprontávamos mas sempre como um
E depois de tantos anos e tantos quadros que visitei
Estranhamente olho para o meu e algumas daquelas listas cinzentas/pretas
parecem-me agora translúcidas
quase transparentes
quase inexistentes
Existe um quadro que por imperativos amorosos
passou a também ser meu
quando o vi pela 1ª vez
invejei-o
mas agora tantos anos passados
fujo dele
a beleza, a perfeição
mais não eram que máscaras socialmente adaptadas
que escondiam nas linhas e nas cores
a mentira e a intriga, o desamor e a inveja
pobres são aqueles cujos os quadros esborratam à primeira gota de água
ao primeiro sopro
às primeiras luzes que mais intensamente os exploram
e que caem com tamanha facilidade
Quem lhes valerá se nem eles se aceitam
quem lhes estenderá a mão se nem as deles eles vêem
que dizer daqueles que fazendo parte de um quadro desde o início
não são um mas a soma de todos
que lamentar daqueles que esquecendo quem são e donde vêm
sacrificam a unidade para serem mais e melhores
Há quadros que nem valem as mil palavras
porque a sua imagem exposta à realidade
revela o que nem aos nossos maiores inimigos desejamos
e desses é preciso fugir e ter cuidado
para não entrarmos dentro do dito
e aí permanecer para sempre aprisionados...e infelizes
Mau
É mau...
quando os outros despertam para a realidade
abrem os olhos e vêem a sua vidinha parada e sem graça
e depois como por magia
nos descobrem
e pior ainda descobrem
que vivemos
que na verdade aproveitamos cada minuto, cada segundo
porque o tempo não pára nunca...
e depois olham-se ao espelho
e a imagem retornada
mais não é que meros fragmentos amargos
pedaços hesitantes
destroços de sorrisos e vontades
e aí é que começa a ser mau...
quando as pessoas não gostam ou não compreendem
criam sempre preconceitos, maledicências
tentam reduzir a beleza de viver
a um mero e estúpido preconceito
e na sequência
todos nós que respiramos vida
que felizes
sentimos na pele cada minuto, cada segundo
passamos a ser os maus
os anormais
que devem ser reduzidos, espezinhados
e mesmo aniquilados
porque nós sentimos
e eles não
porque nós vivemos e eles não
simplesmente arrastam-se até ao final dos seus dias
quarta-feira, maio 02, 2007
Amores de Verão
Calor
Sedução
Corpos enrolados na areia
acariciados pelo Sol
o meu olhar
o teu olhar
as minhas mãos nas tuas costas
as tuas mãos no meu rosto
um beijo
um sorriso
abraçamo-nos
dois corpos unidos
sede de ti
desejo de querer
de ser em ti
um só
rimo-nos como crianças inocentes
olvidamos que existe um mundo lá fora
para lá dos nossos corpos
para lá de nós
os teus olhos nos meus
as minhas mãos nas tuas
os teus lábios quentes
como uma maldição...
amo a tua pele quente
os teus olhos a brilharem
tu és meu e eu sou tua
o tempo escasseia e não voltará mais
o verão acabará
e nada disto fará sentido
pois a pele esfria
e a paixão desaparece
são assim os amores de verão
duram o tempo da estação que os traz à vida...
