quinta-feira, maio 17, 2007

Lisboa Perdida

Por estes dias redescobri Lisboa...

Não a Lisboa que vejo todos os dias
do barco, do autocarro
Mas aquela Lisboa antiga
e no entanto tão jovial...

Redescobri a Lisboa do Castelo
das escadinhas que nos fazem recuar à nossa infância
A vista lá de cima transporta-nos para a Lisboa das lendas e dos mouros
a Lisboa das sardinhas e das marchas
Essa Lisboa que amamos e tão recorrentemente desprezamos

Sufocamos a cidade com o nosso stress diário
e é com tamanha surpresa
que a redescobrimos
intacta, suspensa à nossa espera

Chama-nos suavemente, discretamente
Sussurra o nosso nome
Acena-nos do alto das colinas
E sorri...

Sorriso de mãe que recolhe no regaço o filho "tresmalhado"
Sorriso de amante que recebe no seu colo o amante desavindo
Sorriso de criança traquina que nos desafia
a brincar, a pular, a rir e a
rodopiar até cairmos
inebriados...

"Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida "
Carlos do Carmo

quinta-feira, maio 10, 2007

Quadros

Imaginemos as famílias como quadros
Temos milhares, milhões de quadros (famílias)

Se me pedissem para descrever o meu quadro
seria em tons de azul
azul céu, azul mar com faixas de cinzento/preto
Nunca fomos uma família funcional
Desde sempre crescemos com a consciência
que poucos requisitos ou nenhuns preencheríamos
para tal

Mas mesmo no meio da tempestade, da dor, da incompreensão
nunca faltámos uns aos outros
era a única forma de sobreviver
de não ser arrastado
e verdade seja dita
tornou-nos naquilo que somos hoje
e temos orgulho no que somos, no que fazemos
e na vida

Mesmo com toda a confusão
nunca nos desrespeitámos
nunca nos mentimos
e o melhor de tudo nunca apanhámos o triste hábito de falar mal de nós
nas costas uns dos outros
e nunca mas nunca nos deixaremos cair

e assim crescemos
sem intrigas, sem mentiras entre nós
mentíamos ao pai para nos salvar a pele
aprontávamos mas sempre como um

E depois de tantos anos e tantos quadros que visitei
Estranhamente olho para o meu e algumas daquelas listas cinzentas/pretas
parecem-me agora translúcidas
quase transparentes
quase inexistentes


Existe um quadro que por imperativos amorosos
passou a também ser meu
quando o vi pela 1ª vez
invejei-o
mas agora tantos anos passados
fujo dele
a beleza, a perfeição
mais não eram que máscaras socialmente adaptadas
que escondiam nas linhas e nas cores
a mentira e a intriga, o desamor e a inveja

pobres são aqueles cujos os quadros esborratam à primeira gota de água
ao primeiro sopro
às primeiras luzes que mais intensamente os exploram
e que caem com tamanha facilidade

Quem lhes valerá se nem eles se aceitam
quem lhes estenderá a mão se nem as deles eles vêem

que dizer daqueles que fazendo parte de um quadro desde o início
não são um mas a soma de todos
que lamentar daqueles que esquecendo quem são e donde vêm
sacrificam a unidade para serem mais e melhores

Há quadros que nem valem as mil palavras
porque a sua imagem exposta à realidade
revela o que nem aos nossos maiores inimigos desejamos

e desses é preciso fugir e ter cuidado
para não entrarmos dentro do dito
e aí permanecer para sempre aprisionados...e infelizes








Mau

É mau...
quando os outros despertam para a realidade
abrem os olhos e vêem a sua vidinha parada e sem graça
e depois como por magia
nos descobrem
e pior ainda descobrem
que vivemos
que na verdade aproveitamos cada minuto, cada segundo
porque o tempo não pára nunca...

e depois olham-se ao espelho
e a imagem retornada
mais não é que meros fragmentos amargos
pedaços hesitantes
destroços de sorrisos e vontades

e aí é que começa a ser mau...

quando as pessoas não gostam ou não compreendem
criam sempre preconceitos, maledicências
tentam reduzir a beleza de viver
a um mero e estúpido preconceito
e na sequência
todos nós que respiramos vida
que felizes
sentimos na pele cada minuto, cada segundo
passamos a ser os maus
os anormais
que devem ser reduzidos, espezinhados
e mesmo aniquilados

porque nós sentimos
e eles não

porque nós vivemos e eles não
simplesmente arrastam-se até ao final dos seus dias

quarta-feira, maio 02, 2007

Amores de Verão

Verão
Calor
Sedução
Corpos enrolados na areia
acariciados pelo Sol

o meu olhar
o teu olhar
as minhas mãos nas tuas costas
as tuas mãos no meu rosto
um beijo
um sorriso

abraçamo-nos

dois corpos unidos
sede de ti

desejo de querer
de ser em ti
um só

rimo-nos como crianças inocentes
olvidamos que existe um mundo lá fora
para lá dos nossos corpos
para lá de nós

os teus olhos nos meus
as minhas mãos nas tuas
os teus lábios quentes
como uma maldição...


amo a tua pele quente
os teus olhos a brilharem
tu és meu e eu sou tua
o tempo escasseia e não voltará mais

o verão acabará
e nada disto fará sentido

pois a pele esfria
e a paixão desaparece

são assim os amores de verão
duram o tempo da estação que os traz à vida...