Saio para um final de tarde já escuro
Seis horas e a noite já caiu na cidade
Caminho em passos lentos e arrastados
com a minha tristeza
De repente o cheiro a castanhas assadas
faz-me sorrir
Como posso ficar triste
com esta brisa fresca no rosto
anunciando o Inverno
um cheiro a castanhas no ar
e as primeiras decorações de Natal
nas montras
Que direito tenho
de ficar triste
de chorar
quando tenho tudo isto à minha mão
e outros não
Vou caminhando pela rua e faço-me sorrir
Depois olho o telemóvel vazio
sem mensagens nem chamadas
e os olhos ficam brilham com as lágrimas
a querer cair
e lembro-me da minha tristeza
da eterna questão
de dar e receber
quarta-feira, novembro 04, 2009
A propósito de dar
Dar continua a ser um problema real
no mundo em que vivemos
Damos demais
Damos de menos
mas parecemos nunca acertar
no que dar, quando dar e a quem dar
Eu pessoalmente gosto de dar quando me apetece
não gosto de ser obrigada
não gosto de sentir no rosto dos outros
que esperam algo que não tenho em mim
deve ser por isso que me chamam fria
eu chamo-lhe experiência
desde sempre que sei
que ninguém dá muito
ou para sempre
porque somos humanos
porque a falha e o lapso
estão inerentes a esta nossa condição
Também me custa receber muito
sinto-me sufocar
sinto-me em permanente dívida
e estupidamente habituo-me
acontece é que depois
os outros não correspondem
e eu fico triste
e com raiva
porque não pedi
porque não queria ter
mas habituei-me
e depois nada
o vazio no lugar de algo
porque as pessoas são esquizofrénicas
são duas pessoas dentro de uma
ora nos sufocam
ora nos desprezam
ao menos
dou pouco
mas dou
sempre igual
sempre o mesmo
para ninguém se sentir abandonado
nem triste
é talvez das poucas coisas
onde sou sensata e equilibrada
e teria paz
não fossem outros
no mundo em que vivemos
Damos demais
Damos de menos
mas parecemos nunca acertar
no que dar, quando dar e a quem dar
Eu pessoalmente gosto de dar quando me apetece
não gosto de ser obrigada
não gosto de sentir no rosto dos outros
que esperam algo que não tenho em mim
deve ser por isso que me chamam fria
eu chamo-lhe experiência
desde sempre que sei
que ninguém dá muito
ou para sempre
porque somos humanos
porque a falha e o lapso
estão inerentes a esta nossa condição
Também me custa receber muito
sinto-me sufocar
sinto-me em permanente dívida
e estupidamente habituo-me
acontece é que depois
os outros não correspondem
e eu fico triste
e com raiva
porque não pedi
porque não queria ter
mas habituei-me
e depois nada
o vazio no lugar de algo
porque as pessoas são esquizofrénicas
são duas pessoas dentro de uma
ora nos sufocam
ora nos desprezam
ao menos
dou pouco
mas dou
sempre igual
sempre o mesmo
para ninguém se sentir abandonado
nem triste
é talvez das poucas coisas
onde sou sensata e equilibrada
e teria paz
não fossem outros
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