terça-feira, maio 18, 2010
segunda-feira, maio 17, 2010
Sinais de Roma III
O vaticano como se esperava
tornou-se comercial
aderiu ao turismo de massas
mesmo a Capela Sistina
é agora parecida com qualquer outro monumento
em qualquer parte do mundo
onde dezenas de pessoas disparam flashes
e falam ruidosamente
mas o que mostra é que até a mais pequena
nação do mundo se converteu
e tem no seu museu um restaurante self-service
onde se servem hamburguers, pepsi e batata frita
como em qualquer restaurante de fast-food
Curiosamente não encontrei Coca-cola
em Roma só Pepsi...
Desta vez sem ataques de pânico
nem fobias
vivi esta viagem de forma muito diferente
muito distante
Viajei sem viajar
Caminhei por Roma
sem saber por onde andava
Fotografei pormenores para te oferecer
mas acima de tudo fotografei
pessoas, momentos, vidas
Fechei um ciclo dentro de mim
Não enterrei os meus fantasmas
mas guardei-os numa caixa
talvez a fé que se vive nesta cidade
talvez a história declarada
que nos acompanha a cada passo
Não sei o que foi
sei apenas que algo dentro de mim
fechou, selou
uma espécie de paz leve
que me permitiu dormir
sem pesadelos
sem violência
Por uma vez volto diferente do que fui
mas com uma certeza amo Lisboa
amo a minha família
adoro o meu país
apesar das pessoas
apesar dos pedantes e incompetentes
Em nenhum lado me sinto tão feliz
como nas planícies alentejanas
ou mergulhando na costa fria junto a Carrapateira
É talvez o tempo de parar
É o fim de um ciclo
Não sei onde estarei amanhã
Se contigo ou sem ti
mas o ciclo acaba aqui
Fecha-se um espaço e tempo
e chama-se-lhe passado
Poderia continuar a escrever
sobre a dor e o amor
o abandono e a tristeza
mas o tempo passa
e a vida continua a andar
Já to disse tantas vezes
Já o escrevi também
E aqui estamos
Preciso seguir em frente
Deixar para trás as gémeas
e toda a amargura que as rodeia
Cresci tanto que já muita coisa não faz sentido
Estarás sempre comigo
mesmo que seja em pensamento
mas o ciclo acaba aqui
vou tentar o melhor que sei
passar-te a mensagem
mas por cada lágrima derramada
é preciso criar um sorriso
por cada momento de tristeza
é preciso sonhar mais além
por isso este blog fica por aqui
Criei-o para exorcizar os meus fantasmas
mas eles continuaram comigo
e se calhar irão continuar até ao fim
mas sinto a necessidade de mudar
de criar posts que animem
a vida dos outros
que os faça pensar
e mudar qualquer coisa na sua vida
obrigada a todos os que me têm seguido
quando souber o que se segue eu aviso
Sinais de Roma II
Perdias-te nesta cidade
tanto pormenor
tanto detalhe
Páro pouco
e nem os meus famosos
auto-retratos tiro
não me apetece
e metade das fotos tiro por tirar
se alguma vez as vires
vais colocar defeitos
também o tempo não ajuda
o sol aparece e esconde-se
brincando com os turistas
Fiz tudo o que pode
dar sorte nesta cidade
carregada de simbolismo
Toquei a cruz na Basílica de S Pedro
orei e benzi-me com água benta
mandei a moeda na fonte de Trevi
Não acredito em nada por estes dias
mas mal não faz
e eles insistem que me distraia
Comprei o iman de um gato no Coliseu
e a lembrança à minha mãe
mantendo a tradição
volto para o hotel
apetece-me simplesmente estar
é bonito o espaço
sofás brancos divinais
e no ar um chill-out anima a tarde
vou ler um pouco
tenho andado com os livros atrás
e nem olhos para eles
sim ias gostar de Roma
e das suas birras
assisti a tirarem uma birra à moda romana
e é digno de se ver
o detalhe de tirar a espuma com uma faca
é supremo
Os romanos esses são loucos ou não...
@14/5
Sinais de Roma
As italianas não são bonitas
pelo menos naturalmente bonitas
Conseguem-no à custa de muita base,
muito blush, muito arranjo
Dito isto falemos sobre Roma
os subúrbios estão cheios de grafittis
Há quem lhe chame arte
eu chamo-lhe desleixo
O metro é antigo, acabado
os romanos vivem dos seus monumentos
mas não da sua história
tal como nós
viraram as costas
aquilo que um dia fez deles o império
que se conheceu
Hoje os monumentos servem-lhes
apenas para explorar os turistas
sequiosos de ver história
um monte de pedras antigas empilhadas
deixadas de lado nos corredores
percorridos por milhares diariamente
os romanos não são simpáticos
pelo menos naturalmente
mas adoro as vespas
os milhares de scotters
que percorrem a cidade
é para mim um espectáculo
ver o sinal ficar verde
e todo aquele concerto infernal do arranque
Italianos bonitos ou bons
também é coisa rara
pelas ruas de Roma
Devem andar escondidos
Em Paris havia os lagos e as cadeiras
Roma tem as escadarias
O café é aguado, deslavado
longe do sabor quente e forte
do café português
Quanto mais viajo
mais sinto que amo Lisboa
como dizia o cantor
"faz-me falta Lisboa para me sentir feliz"
@14/5
quarta-feira, maio 05, 2010
ao cair da noite
um colchão no chão
almofadas e um cobertor
candeeiro inventado
televisão computador ligada
risos partilhados
gargalhadas escondidas
para não perturbar o silêncio da noite
sonhos criados à pressa
o brilho nos olhos
de quem passou o medo
o desconhecido
e sabe que vai chegar mais longe
os outros estranham
nós achamos delicioso
parados ao sol
conversas fluem
sobre o tempo e o momento
sobre o mundo dos outros
sobre os outros no nosso mundo
e voltamos à noite
à simplicidade
ao ínicio
ao que realmente importa
olhos nos olhos
deitados no chão
no centro do nosso universo
com tão pouco construímos muito
e quando a noite caiu
encontrou-nos felizes
simplesmente por estarmos
juntos
ps- foi e será
almofadas e um cobertor
candeeiro inventado
televisão computador ligada
risos partilhados
gargalhadas escondidas
para não perturbar o silêncio da noite
sonhos criados à pressa
o brilho nos olhos
de quem passou o medo
o desconhecido
e sabe que vai chegar mais longe
os outros estranham
nós achamos delicioso
parados ao sol
conversas fluem
sobre o tempo e o momento
sobre o mundo dos outros
sobre os outros no nosso mundo
e voltamos à noite
à simplicidade
ao ínicio
ao que realmente importa
olhos nos olhos
deitados no chão
no centro do nosso universo
com tão pouco construímos muito
e quando a noite caiu
encontrou-nos felizes
simplesmente por estarmos
juntos
ps- foi e será
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