quinta-feira, março 13, 2008

Sweet 30...afinal nem todos chegam lá


Alguém próximo de mim
Ao relembrar a proximidade do meu aniversário
E da chegada dos “intas”
Escreveu “Sweet 30...afinal todos chegam lá”
E nesse instante pela minha mente
Passaram vários rostos, vários sentimentos
E percebi que não era assim
Live fast, die young
Quantos de nós gostaríamos
De ter coragem para seguir
Na íntegra esse apelo associado à natureza humana
Alguns de nós
Infelizmente para os que ficam
Felizmente para os que foram
Conseguiram-no
E afinal nem todos chegam lá
A esses a minha sentida homenagem
Porque beberam cada segundo
Respiraram cada minuto
Como se fosse o último
Até ao fim
Depois existem os outros
Os que por cá continuam
Mas que saíram da nossa vida
Tal como entraram
Nas passagens das fases
Na evolução do ser
As pessoas vão entrando e saindo
Da nossa vida
Atraídas por outros lugares
Por outros sons
Quando paro
Nas raras vezes em que o faço
Sinto pena
Reconheço algum vazio
De pessoas que foram importantes
E a falta que ainda hoje
Elas me fazem
30 anos, 30 amigos
Nem por isso
Amigo é algo tão raro
Tão único
Que ter 30 amigos
É sempre de desconfiar
Mas sim gostaria
De ter aquelas 4/5 pessoas
Com quem cresci
Com quem aprendi
E isso sim
Seriam uns sweet 30

@07/03

Lucidez

Fica cada vez mais claro para mim
A falta de lucidez com que conduzimos
A realidade que nos envolve
Quantos de nós temos a percepção clara
E unívoca do que nos separa da insanidade?
Quantos de nós perante a fronteira
Sabem quão perto estão de a passar?
Sei exactamente a cada momento
Onde estou e onde posso ficar
Se continuar a caminhar
Tenho a clara percepção que a linha
Que me separa do non-sense
É fina, finíssima
E que passando perco o sentido da realidade
Deixo de responder
Deixo de sentir
Deixo de pensar e conceber ideias
E o que aconteceria?
Estarão os outros preparados para
Me deixarem ir?
Me perderem?
Estarei eu preparada para me perder a mim mesma?

@07/03

Da angústia do desejo
Caminhamos pela noite
De mãos dadas
Olhamos a lua
E sorrimos
Cremos que tudo é para sempre
E tudo vai ser sempre assim
Mas ao acordar
Sabemos que nada nunca dura
Para sempre
Vivemos a correr para sobreviver
Naquilo a que chamamos o nosso mundo
O gosto das coisas
O saber viver
Mascarado, disfarçado
Pela incoerência do raciocínio
Não podemos parar
Temos que nos despachar
Temos que acabar
Mas nunca acaba, nunca pára
O mundo gira e gira
E não pára nunca
E nós a correr
Sentimo-nos ultrapassados
Afundados
Deixamo-nos arrastar
Tentas resistir
Mas é impossível
A multidão não deixa
Rostos indistintos
Mãos que nos empurram
Para a frente
Sempre para a frente
Não se pode voltar atrás
Nunca nada ninguém
Deitamos
Levantamos
E continuamos a correr
Cansados, doentes
Seres arrastados pela multidão
Que se avizinha aos nosso pés
Sofremos na pele, a angústia, a dor
O corpo a pedir para parar
Mas parar é pensar
E pensar dói...muito
Preferimos não parar, não pensar
Continuar a correr sempre
Até ao fim
E morrermos como vivemos
Depressa demais

@23/02

E ver-te assim
eu declaro morte ao Sol
e ver-te assim
e a quem o apoiar

@23/02