Seres errantes
Que caminham algo difusos pelas ruas
Vemos o seu rosto iluminado
pelas luzes
Olhamos os seus olhos e vemos
o vazio
a felicidade obtusa de quem não pensa
de quem não questiona
De quem não sabe que existe um mundo
fora do seu mundinho
Não quer saber
Nem sentir
Existem aqueles seres que vivem
no seu mundo próprio
onde tudo tem um espaço e um tempo
onde as disfunções ficam à porta
Escolheram viver assim
e são felizes
Invejo-os
Eles sim são os sortudos
Porque não sentem
a fome e a sede
a dor e a angústia
de pensar, questionar
Porquê?
De sentir na pele o tempo
a discorrer
e o caos a envolver-nos
Olhamos esses seres de lado
como se fossem idiotas
mas na verdade
eles passam pela vida
e na sua perspectiva
são felizes sempre
pouco os afecta
A esfera criada protege-os
e nós os outros
aqueles que queremos saber sempre
sentir sempre
para aqui ficamos
vivemos a vida
sentimos cada minuto cada segundo
a contar
a arder na pele
as vozes na nossa cabeça
constantemente a pedir mais
e invejamos aqueles que negam a "sabedoria"
e o sentimento
mas são felizes
naquele seu mundo
onde o tempo e o espaço
estão arrumados em prateleiras
devidamente classificadas
quarta-feira, novembro 21, 2007
Não pensam
domingo, novembro 18, 2007
E se?
Por vezes resistimos
mas a pergunta permanece sempre
E se?
Quantas e quantas vezes revemos o passado
E perguntamos e se?
Se tivéssemos seguido pela direita
e não pela esquerda
Se tivéssemos tido a coragem
de atirar tudo ao alto
e começar de novo
Como estaríamos agora?
Seríamos felizes?
Neste ponto faço mea culpa
e assumo
o mal que fiz, que provoquei
quando em actos de puro egoísmo
paguei para ver
Foram anos e anos a pagar para ver
E se fosses tu?
Perdi amigos, perdi relações importantes
mas segui sempre os instintos e paguei
para ver
O preço esse, salvo raras excepções,
foi sempre alto demais
E se?
Mas embora tenha crescido
e permanecido
As vozes na minha cabeça
as imagens que vejo e revejo
que invento para tentar adivinhar
o que teria acontecido
Apetece-me gritar
Não temos o direito de ser egoístas
Não teremos o direito de
escolher ser felizes?
Não sei se conhecem o filme
"Sliding doors"
Aquele em que um único momento
pode mudar toa uma vida
Num segundo, apanhamos o metro chegamos a casa
e ficamos sem vida
porque descobrimos que somos enganados
Num segundo, perdemos o metro e no dia seguinte nada se passa
e vivemos eternamente uma mentira
É injusto
Deveríamos puder abrir portas no tempo
que nos permitissem viver por
breves instantes
essas vidas paralelas
que nos permitissem saber
como seria
como nos sentiríamos
Congelar o tempo no espaço
de uma vida
E ir atrás
abrir todas as portas e perceber
o que falhou
onde errámos
Seria assim pedir tanto?
PS- não me interpretem mal...adoro a minha vida mas sinto-me incompleta por não saber
E se?
segunda-feira, novembro 05, 2007
Respirar
Breathe in Breathe out
Corro sem parar
Sem descansar
um minuto, um segundo
O tempo sempre a contar
um minuto, um segundo
Tanto para fazer
para ler
para saber
locais por descobrir
sabores por apreciar
um minuto, um segundo
Breathe in Breathe out
Breathe in Breathe out
07.10.27
Reencontros
Passados tantos anos
Conto agora os dias
que faltam para te reencontrar
A ti minha amiga
Minha conselheira
Minha fada madrinha
Contigo sempre pude ser eu
Falávamos de tudo
de nós e do mundo
do mundo e dos outros
Os silêncios enchiam-se de formas,
de significados
Contigo descobri o fado
Descobri o Pessoa, o Álvaro de Campos
O Ricardo Reis
Eras directa, dura e crua
e isso bastava-me
o tempo, as pessoas,
as ideias afastaram-nos
e agora que nos reencontrámos
sinto-me constrangida
Não sei que te dizer
Nem sei por onde começar
Deixei-te parada no tempo...
Saí a correr atrás de uma nuvem qualquer
Que me levasse longe
além mar
que me criasse chuva
E agora que tive a felicidade de te encontrar
Não sei que te dizer
Conseguiremos redescobrir o que fomos
Seremos de novo
a simetria e a lógica
o pensamento e o sentimento
Depois de ti não existiu mais nada
A ligação foi quebrada
e jamais substituída
Até agora
E se tu mudaste? E se eu mudei?
Em breve saberemos...
Pedes
Que esqueça
Que finja que nada aconteceu
Como? Porquê?
Como me podes pedir
que esqueça todo o mal que nos fizeram
todas as injustiças cometidas
As mentiras, as intrigas
a má-formação
Sempre que aceito calar
as vozes na minha cabeça
enlouquecem
berram, esperneiam
odeiam-me
por aceitar calar mais uma vez
por aceitar esquecer
Mas será que se esquece?
Olvidares cada minuto em que te magoam
em que te gozam
em que te copiam
mês após mês
ano após ano
pormenor a pormenor
acessório a acessório
tudo o que seja
necessário para ficar igual
par se possível ficar melhor ainda
ser a melhor
a melhor farsa?
Quem sente não esquece...e se diz que sim é mentiroso
07.10.27
Cansei...
Mais não
Cansei de lutar
de ferir as minhas mãos no gelo que é a tua alma
Cansei da dor
da incompreensão
Cansei
de cavalgar errante
contra os moinhos de vento
"A sorte protege os audazes"
De que? De quem?
A sorte protege os estúpidos
aqueles que não arriscam
aqueles que não criam
Quem ousa ser
é tristemente apanhado nas malhas
Quem ousa falar
é silenciado pelo ruído ensurdecedor
da multidão
Venham a mim todos aqueles
que acreditam que viver dá trabalho
Mas que vale a pena cada segundo, cada minuto
Juntemos as mãos e caminhamos passo a passo
até ao horizonte
o sorriso nos olhos diz tudo
quando já tudo foi dito
quando o nada nos alivia a alma
quando a ausência de estupidez
nos faz incrivelmente felizes,
fantasiosos e livres
quinta-feira, agosto 30, 2007
Único
o que temos é unico
irrepetível
inigualável
dá trabalho é certo
mas não o queria com mais ninguem
Hábitos
Bons e maus
Habituamo-nos
Acostumamo-nos a tudo
Desde o nascimento
Até à morte
a vida de um ser humano
não é mais que habituar-se
àquilo que lhe dão
àquilo que obtém dos outros
e dele próprio
Habituamo-nos a tudo,
ao riso, à alegria,
à tristeza, às lágrimas,
à fome, ao desalento.
Até nos habituamos
à nossa própria solidão
Podemos não gostar
Podemos até odiar
Mas tal como peixes seguindo a corrente
Nós avançamos assim mesmo
como se nada houvesse
que pudesse acabar com esse hábito.
Percorremos sempre os mesmos caminhos,
os mesmos passeios, as mesmas estradas
Frequentamos sempre
os mesmos lugares
convivemos sempre
com as mesmas pessoas
Teremos assim tanto medo
de conhecer mais alguém
de vivermos um dia
diferente do outro
de fugirmos à rotina
aos nossos hábitos
aos nossos costumes.
94.11.03
Tudo porque amanhã...
Eu quero gritar
E correr e voar
Quero chegar além do impossível
Quero viver os meus sonhos
Concretizar os meus desejos
Levem-me até ao mar
Quero mergulhar nele
Quero viver a vida contida nele
Tudo porque amanhã...
Hoje
Quero beber, beber até cair
Deixem-me fazer tudo
por tudo
Quero fazer o pino
Rodar e rodopiar
Dançar até não poder mais andar
Deixem vir a chuva até mim
Quero molhar-me nela
Quero bebe-la
Quero viver a vida num minuto
num segundo
Tudo porque amanhã...
Hoje
Quero amar
E ser amada
Conseguir a felicidade à muito esperada
quero rir
quero sonhar
e viver
muito
Viver para sempre
Quero chorar de tanta dor
Tudo porque amanhã
já não acordarei...
94.11.03
Algures...
além desta vida
deste corpo onde nos encontramos encerrados
Somos espíritos livres
Rebeldes
Pedimos a fama e a glória
dos nosso pequenos actos
Mas pedimos mais
Recusamos as prisões mentais
em que nos enfiam
Recusamos os falsos preconceitos
invenções de covardes
Recusamos ser rotulados
Apenas pedimos
Que nos deixem viver
Libertamos o espírito
Porque não o podemos fazer ao corpo
Viajamos
Sonhamos
Divertimo-nos
Na inconstância desta vida
Onde pelo que dizem
Tudo é relativo
É a relatividade a base de todos os nossos confrontos...
95.04.06
Diários
passei, passeei,
por vezes olhava para trás
mas eram só ecos
de passos antigos
nos paços esquecidos...
na areia
as pegadas sempre apagadas
pelo tempo e a água do mar
E o tempo passa,
longe, num passeio distante,
disse que queria envelhecer contigo
só aprendi com o tempo
e nesta idade
só tenho tempo para ti...
na areia
um relógio de sol
marca o tempo
um dia apagado
pela água do mar...
R.P.C
domingo, agosto 12, 2007
Pormenores
Por muito que as pessoas se esforcem
Por ser aquilo que nunca serão
Por parecer aquilo que gostariam de ser
Tanta esforço tanta farsa
E no fim são os pequenos pormenores
que deitam tudo a perder
que revelam aos outros a verdadeira face
Perdem a cara por não conseguirem ser
algo tão simples como educadas...
sábado, agosto 11, 2007
Nada dura para sempre
hoje caiu uma parte do meu mundo
existem aquelas coisas que sabemos que vão ser para sempre
que vão estar sempre lá aconteça o que acontecer
e de repente esse algo esse item deixa de existir
o mundo roda mais depressa
o chão sai dos nossos pés
e nós não percebemos porquê
porque é que nada dura para sempre
porque é que aquilo que mais temos de seguro se revela mera ilusão
sinto-me atordoada
como se a minha alma estivesse sentada à minha frente a olhar
para mim
para o meu desapontamento
dói-me como se fosse comigo
recuso-me a acreditar que algo eterno se desmorona assim
porque se acreditar
então tudo pode acontecer
e nada é sagrado nem imutável...
e não há certezas
nem finais felizes
e a realidade ganha mais uma vez
segunda-feira, agosto 06, 2007
The words beneath the songs
Rise up my friend
Don’t fall down again
Look at the sky
And fly
Fly away so high
Follow your dreams
Follow your thoughts
I know will meet again
When you stop trying to fly
Over the rainbow alone
So afraid what people might say
But that's ok because we're only human
We’re strong enough
Our image at the mirror
Tel us all we need to know
Rise up
If you're tired of being what is expected
If you're becoming numb
Stop
Look at the sky
And smile
You win again
'cause you know what life tastes
No more lies
No more sorrow
No more envy
In the end what really matters is living
Is flying away
Don't forget your wishes
Open your eyes
And come with us
Fly over the rainbow so high
terça-feira, julho 03, 2007
Amizades
Ser amigo de alguém é difícil
Nem poderia ser diferente
Conhecer os amigos
Criar com eles momentos, frases, histórias
Empenhar o nosso tempo, a nossa pessoa
a ser neles o melhor de nós
por isso dói...
quando percebermos que também nos enganamos
que essa pessoa não sabe de nós aquilo que somos
o que pensamos
por isso custa tanto
aceitar que nos enganamos e que afinal a amizade inquebrável
não passava de acumulação de horas numa qualquer zona de conforto
que tanto temos a mania de criar
por isso que me desculpem os amigos
que ao lerem se vão sentir frustados
mas não quero mais amigos
não quero mais amizades
quero viver o tempo e o momento e só mais nada
dar-vos o meu tempo é dar-vos o melhor de mim
e é só o que tenho para vos dar
não quero mais cortinas a descer
porque depois não está lá ninguém
é frustrante
e incrivelmente estúpido
que no momento em que se pede ajuda a um amigo
o chão nos falte
e nos estatelemos violentamente contra a verdade
Dizem que quem tem muitos amigos é porque não tem nenhum...
Eu nunca quis muitos amigos
Eu sempre quis aquele amigo cujo telefone está na marcação rápida
que ouve o nosso olá
e sabe no instante mais de nós do que queremos contar
Os amigos têm defeitos e nós gostamos deles mesmo assim
por isso é difícil entender quando os defeitos
conseguem superar tudo o resto
e no final
só a sensação de perda
de impotência
perante o desconhecimento do outro
do desinteresse
porque está tudo bem
e não se passou nada...
segunda-feira, julho 02, 2007
Desabafos
(dissertação sobre uma tarde de domingo)
A necessidade de falar, de desabafar
De procurar a compreensão dos outros
De encontrar explicações
De percebermos o que raio nos aconteceu naquele momento...
Desabafar permite exorcizar os nossos receios
Contar aos outros sobre os outros e sobre nós....
Esperando encontrar as respostas que estão mesmo à nossa frente e não queremos ver
Entregamos a nossa alma
e esperamos que nos digam que temos razão
que nós é que sabemos
mas para isso é preciso primeiro sabermos
do que fizemos ou dissemos
assumirmos que erramos
Às vezes por amarmos demais
por querermos demais
às vezes simplesmente porque somos assim mesmo...
"que facil es abrir tanto la boca para opinar..."
conseguem ter opiniões sobre tudo e sobre todos
sobre o que conhecem e sobre o que desconhecem e nem fazem a mínima ideia
Regresso a casa
E eu ainda não encontrei a minha
Procuro incessantemente o lugar
onde em sinta em paz
corro na praia
enterro os pés na areia o mais que posso
fecho os olhos e abro os braços
deixo o calor do sol acariciar-me o rosto
e espero
um segundo
mil segundos
cem horas e nada
nada acontece
abro os olhos
e respiro fundo
olho a paisagem à minha volta
e sorrio
tristemente sei que ainda não cheguei a casa
ainda não encontrei o que levo anos procurando
mas por uns instantes olvido-me da busca
e capto o momento
o instante em que sorri
e senti-me em casa...
quinta-feira, junho 21, 2007
Negro Escuro
A minha alma sente-se negra
diminuída e só
Não consigo partilhar
aquilo que não consigo explicar
Cansada de estar farta e cansada
gostava de ficar
quieta e parada
fechar os olhos e tudo desaparecer
gostava de parar o tempo
deitar-me e deixar o mundo continuar sem mim
escrava de mim e dos outros
e eu? e a minha alma?
abandonar a consciência dos meus passos e flutuar...
elevar-me bem alto
para me deixar cair
as minhas veias pulsam
mas devo renegar a quem sou
para conseguir olhar na cara
daqueles que sempre me pintaram de negro...
daqueles que fingindo ser algo mais...
nos tiram a energia e a alegria
sinto na pele a dor
sinto na alma
a tristeza
de não poder ser quem sou...
só para poder sobreviver mais dois dias...
segunda-feira, junho 04, 2007
Problemas
...2
...1
...
(Santo Agostinho)
sexta-feira, junho 01, 2007
Divagando sobre a vida
para fazermos dela o que quisermos...
copiar outras vidas é esvaziar a nossa
de todo e qualquer sentido
ter sorte dá trabalho
e as oportunidades quando aparecem
têm que ser aproveitadas
pois existem duas esferas nesta vida
Espaço e tempo
Espaço mesmo que o perdemos
será sempre temporário
pois podemos recuperá-lo mais tarde
Tempo é algo que não recuperamos nunca
Uma vida intensa atrai sobre nós
os focos da inveja e do preconceito
como se nós fossemos sortudos
e não tivessemos esse direito
Como se nós fossemos "abençoados"
Como se não fizessemos por o merecer...
Não se iludam
viver dá trabalho
muito trabalho
mas no fim quando alcançamos os sonhos
sentimo-nos bem
extasiados
E isso ao mesmo tempo
que nos liberta
faz com que nos tornemos o alvo favorito
de quem sendo pequeno e triste
mais não faz do que tentar imitar
copiar a vida dos outros
como se esta pudesse ser copiável
como se uma vida pudesse ser
assimilada e adaptada
a qualquer um
A minha vida é minha
única e diferente
e desculpem os pedantes
mas arranjem vida própria
façam-se gente
e tentem criar algum valor
em vez de destruir o que realmente importa
quinta-feira, maio 17, 2007
Lisboa Perdida
Por estes dias redescobri Lisboa...
Não a Lisboa que vejo todos os dias
do barco, do autocarro
Mas aquela Lisboa antiga
e no entanto tão jovial...
Redescobri a Lisboa do Castelo
das escadinhas que nos fazem recuar à nossa infância
A vista lá de cima transporta-nos para a Lisboa das lendas e dos mouros
a Lisboa das sardinhas e das marchas
Essa Lisboa que amamos e tão recorrentemente desprezamos
Sufocamos a cidade com o nosso stress diário
e é com tamanha surpresa
que a redescobrimos
intacta, suspensa à nossa espera
Chama-nos suavemente, discretamente
Sussurra o nosso nome
Acena-nos do alto das colinas
E sorri...
Sorriso de mãe que recolhe no regaço o filho "tresmalhado"
Sorriso de amante que recebe no seu colo o amante desavindo
Sorriso de criança traquina que nos desafia
a brincar, a pular, a rir e a
rodopiar até cairmos
inebriados...
"Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida "
Carlos do Carmo
quinta-feira, maio 10, 2007
Quadros
Imaginemos as famílias como quadros
Temos milhares, milhões de quadros (famílias)
Se me pedissem para descrever o meu quadro
seria em tons de azul
azul céu, azul mar com faixas de cinzento/preto
Nunca fomos uma família funcional
Desde sempre crescemos com a consciência
que poucos requisitos ou nenhuns preencheríamos
para tal
Mas mesmo no meio da tempestade, da dor, da incompreensão
nunca faltámos uns aos outros
era a única forma de sobreviver
de não ser arrastado
e verdade seja dita
tornou-nos naquilo que somos hoje
e temos orgulho no que somos, no que fazemos
e na vida
Mesmo com toda a confusão
nunca nos desrespeitámos
nunca nos mentimos
e o melhor de tudo nunca apanhámos o triste hábito de falar mal de nós
nas costas uns dos outros
e nunca mas nunca nos deixaremos cair
e assim crescemos
sem intrigas, sem mentiras entre nós
mentíamos ao pai para nos salvar a pele
aprontávamos mas sempre como um
E depois de tantos anos e tantos quadros que visitei
Estranhamente olho para o meu e algumas daquelas listas cinzentas/pretas
parecem-me agora translúcidas
quase transparentes
quase inexistentes
Existe um quadro que por imperativos amorosos
passou a também ser meu
quando o vi pela 1ª vez
invejei-o
mas agora tantos anos passados
fujo dele
a beleza, a perfeição
mais não eram que máscaras socialmente adaptadas
que escondiam nas linhas e nas cores
a mentira e a intriga, o desamor e a inveja
pobres são aqueles cujos os quadros esborratam à primeira gota de água
ao primeiro sopro
às primeiras luzes que mais intensamente os exploram
e que caem com tamanha facilidade
Quem lhes valerá se nem eles se aceitam
quem lhes estenderá a mão se nem as deles eles vêem
que dizer daqueles que fazendo parte de um quadro desde o início
não são um mas a soma de todos
que lamentar daqueles que esquecendo quem são e donde vêm
sacrificam a unidade para serem mais e melhores
Há quadros que nem valem as mil palavras
porque a sua imagem exposta à realidade
revela o que nem aos nossos maiores inimigos desejamos
e desses é preciso fugir e ter cuidado
para não entrarmos dentro do dito
e aí permanecer para sempre aprisionados...e infelizes
Mau
É mau...
quando os outros despertam para a realidade
abrem os olhos e vêem a sua vidinha parada e sem graça
e depois como por magia
nos descobrem
e pior ainda descobrem
que vivemos
que na verdade aproveitamos cada minuto, cada segundo
porque o tempo não pára nunca...
e depois olham-se ao espelho
e a imagem retornada
mais não é que meros fragmentos amargos
pedaços hesitantes
destroços de sorrisos e vontades
e aí é que começa a ser mau...
quando as pessoas não gostam ou não compreendem
criam sempre preconceitos, maledicências
tentam reduzir a beleza de viver
a um mero e estúpido preconceito
e na sequência
todos nós que respiramos vida
que felizes
sentimos na pele cada minuto, cada segundo
passamos a ser os maus
os anormais
que devem ser reduzidos, espezinhados
e mesmo aniquilados
porque nós sentimos
e eles não
porque nós vivemos e eles não
simplesmente arrastam-se até ao final dos seus dias
quarta-feira, maio 02, 2007
Amores de Verão
Calor
Sedução
Corpos enrolados na areia
acariciados pelo Sol
o meu olhar
o teu olhar
as minhas mãos nas tuas costas
as tuas mãos no meu rosto
um beijo
um sorriso
abraçamo-nos
dois corpos unidos
sede de ti
desejo de querer
de ser em ti
um só
rimo-nos como crianças inocentes
olvidamos que existe um mundo lá fora
para lá dos nossos corpos
para lá de nós
os teus olhos nos meus
as minhas mãos nas tuas
os teus lábios quentes
como uma maldição...
amo a tua pele quente
os teus olhos a brilharem
tu és meu e eu sou tua
o tempo escasseia e não voltará mais
o verão acabará
e nada disto fará sentido
pois a pele esfria
e a paixão desaparece
são assim os amores de verão
duram o tempo da estação que os traz à vida...
segunda-feira, abril 30, 2007
Leituras II
Pelo contrário...
é nos livros que nos sentimos bem
que somo nós próprios
Enfrentamos dragões, feiticeiros, terroristas e ditadores
De um só fôlego...
Salvamos donzelas, animais e afins
Descobrimos a cura para todo o mal do mundo
Recordamos a história
e reinventamos em nós mais do mesmo...
vezes e vezes sem conta
Mil vezes um livro medíocre do que uma conversa supérflua...
Verdades
Aquelas que só valem durante o momento que as criou
Nada dura para sempre
Mas poucas coisas na vida são tão bruscas ou repentinas como a morte
Morremos aos olhos dos outros
De uma morte tão fingida que quando nos voltamos a encontrar
Baixamos o olhar para não vermos
que aquela pessoa continua ali a viver, a sentir
e nós com o vazio por companhia....
segunda-feira, abril 23, 2007
Bebida
Mas deixem-me escrever um pouco sobre o tema
Acho fascinante que sobre o efeito do álcool
Se tome posturas inimagináveis pouco minutos antes
E se grite, e se chore, e se fale demais
E tudo sobre a condição de desculpa eterna
da ebriedade
Então e nós, os outros
Os outros que estão sóbrios
Atentos a contemplar o espectáculo decadente do ser
Quando as pessoas não sabem quem são, acontece
Mas devemos nós assistir impávidos ou virar costas e sair
Se a primeira traz-nos o constrangimento e a secura da postura
A segunda poderá trazer-nos a culpa
de que estivemos lá e viemos embora
O problema é quando deixamos de nos importar
quando tanto faz a figura que a pessoa faça
As pessoas não estão sempre ébrias
E a sobriedade traz-lhes a crueza do mundo e delas próprias
Ao contrário ainda se desculpava mas assim é difícil
Porque por algum motivo mais profundo que a pele
mais complexo que o sentimento
a pessoa não se desculpa a ela própria
e não se encontra nela para se encontrar nos outros
É tão mais fácil olhar o mundo pelo fundo de uma garrafa
e esperar que os outros façam por nós aquilo que deveríamos fazer
e desculpem sem pedirmos para e esqueçam tudo o que está para trás
segunda-feira, abril 16, 2007
Revelações
Principalmente quando nem sequer alguma vez passaram pela nossa memória
E principalmente quando esses factos lançam em nós o desconforto e a desconfiança
Já nos basta termos que reconhecer o que sabemos
quanto mais o que desconhecíamos
Só o que se sabe é o que conta
E isso já é mais do que suficiente para nos inquietar...
Leituras
Ler é uma das melhores coisas do mundo
Quando leio viajo, sonho, aprendo
Revivo nos livros as sensações, os sentimentos que por vezes
escondo na vida real
Não é politicamente correcto sentir
Pelo menos à frente dos outros
Mais que uma questão de cultura, como se diz por aí
Ler é libertar a mente
É deambular num espaço e tempo só conhecido por aqueles
que tal como nós sabem ler
Nem todos os que leêm sabem ler
Sabem descobrir o que se esconde por detrás das linhas escritas
num papel muitas vezes branco
Não veêm para lá da frase, do ponto, da vírgula
Ler permite fugir de nós próprios sem sairmos de mesmo sítio
e é talvez a fuga mais socialmente aceite
aquela em que ninguém faz reparos, nem dissertações idiotas
aquela que é só nossa
e por isso perfeita...
e deliciosamente egoísta...
sexta-feira, abril 13, 2007
Pessoas
quanto mais as conheço
mais cresce o meu fascínio em perceber...
Perceber o que leva as pessoas a falhar
serão elas
ou seremos nós que exigimos o impossível
Perceber o que leva as pessoas a mentir
serão elas
ou seremos nós que não queremos ouvir a verdade
Perceber só para entender
Há quem jogue a vida inteira e perca sempre para ganhar no fim
Aqueles de quem nós sabemos
E que pensam que sabem sobre nós
será seguro acreditar...
acreditar que nunca ficaremos sozinhos à chuva...
que nunca mais caminharemos sozinhos...
esperar toda uma vida pela pessoa certa
pelas pessoas certas
e elas mesmo ali ao lado
certo certo
é que não podemos exigir aquilo que não damos
e isso é o que torna as pessoas tão curiosas
quinta-feira, abril 12, 2007
Limites
Uma vez que são eles que determinam a minha maneira de agir
perante o imprevisto
Saber o que tememos permite-nos
ir mais longe
Mesmo que isso nos provoque uma angústia sem igual
E se bem lá no alto fecharmos os olhos
pensarmos que vamos ficar bem
então avançamos...
diferença entre amigo e "friend"
é passar pela vida vivendo-a ao limite
e ignorar aqueles que sem vida invejam a nossa
e tentam vivê-la a qualquer custo
amigos são aqueles que estão na plateia
e continuam a aplaudir mesmo depois das luzes se apagarem
mesmo depois do pano cair
"friends" são todos os outros que passam e não deixam marca
são todos aqueles com quem temos milhares de fotos de copo na mão
tanto tempo depois sei quem são os meus amigos
e isso basta para me deixar feliz
obrigada por seres meu amigo
e por perceberes a diferença entre amigo e "friend"
