quinta-feira, maio 10, 2007

Quadros

Imaginemos as famílias como quadros
Temos milhares, milhões de quadros (famílias)

Se me pedissem para descrever o meu quadro
seria em tons de azul
azul céu, azul mar com faixas de cinzento/preto
Nunca fomos uma família funcional
Desde sempre crescemos com a consciência
que poucos requisitos ou nenhuns preencheríamos
para tal

Mas mesmo no meio da tempestade, da dor, da incompreensão
nunca faltámos uns aos outros
era a única forma de sobreviver
de não ser arrastado
e verdade seja dita
tornou-nos naquilo que somos hoje
e temos orgulho no que somos, no que fazemos
e na vida

Mesmo com toda a confusão
nunca nos desrespeitámos
nunca nos mentimos
e o melhor de tudo nunca apanhámos o triste hábito de falar mal de nós
nas costas uns dos outros
e nunca mas nunca nos deixaremos cair

e assim crescemos
sem intrigas, sem mentiras entre nós
mentíamos ao pai para nos salvar a pele
aprontávamos mas sempre como um

E depois de tantos anos e tantos quadros que visitei
Estranhamente olho para o meu e algumas daquelas listas cinzentas/pretas
parecem-me agora translúcidas
quase transparentes
quase inexistentes


Existe um quadro que por imperativos amorosos
passou a também ser meu
quando o vi pela 1ª vez
invejei-o
mas agora tantos anos passados
fujo dele
a beleza, a perfeição
mais não eram que máscaras socialmente adaptadas
que escondiam nas linhas e nas cores
a mentira e a intriga, o desamor e a inveja

pobres são aqueles cujos os quadros esborratam à primeira gota de água
ao primeiro sopro
às primeiras luzes que mais intensamente os exploram
e que caem com tamanha facilidade

Quem lhes valerá se nem eles se aceitam
quem lhes estenderá a mão se nem as deles eles vêem

que dizer daqueles que fazendo parte de um quadro desde o início
não são um mas a soma de todos
que lamentar daqueles que esquecendo quem são e donde vêm
sacrificam a unidade para serem mais e melhores

Há quadros que nem valem as mil palavras
porque a sua imagem exposta à realidade
revela o que nem aos nossos maiores inimigos desejamos

e desses é preciso fugir e ter cuidado
para não entrarmos dentro do dito
e aí permanecer para sempre aprisionados...e infelizes








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