Já todos nós sabemos o efeito que a bebida faz
Mas deixem-me escrever um pouco sobre o tema
Acho fascinante que sobre o efeito do álcool
Se tome posturas inimagináveis pouco minutos antes
E se grite, e se chore, e se fale demais
E tudo sobre a condição de desculpa eterna
da ebriedade
Então e nós, os outros
Os outros que estão sóbrios
Atentos a contemplar o espectáculo decadente do ser
Quando as pessoas não sabem quem são, acontece
Mas devemos nós assistir impávidos ou virar costas e sair
Se a primeira traz-nos o constrangimento e a secura da postura
A segunda poderá trazer-nos a culpa
de que estivemos lá e viemos embora
O problema é quando deixamos de nos importar
quando tanto faz a figura que a pessoa faça
As pessoas não estão sempre ébrias
E a sobriedade traz-lhes a crueza do mundo e delas próprias
Ao contrário ainda se desculpava mas assim é difícil
Porque por algum motivo mais profundo que a pele
mais complexo que o sentimento
a pessoa não se desculpa a ela própria
e não se encontra nela para se encontrar nos outros
É tão mais fácil olhar o mundo pelo fundo de uma garrafa
e esperar que os outros façam por nós aquilo que deveríamos fazer
e desculpem sem pedirmos para e esqueçam tudo o que está para trás
segunda-feira, abril 23, 2007
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