Quantos de nós somos caça
Quantos de nós somos caçadores
Quem assume a sua realidade
Pura e nua
Sem máscaras sem luzes
nem sombras
Sabe que é inegável
o sabor da aventura
do mistério
o sangue a pulsar nas veias
a pele a pedir mais e mais
Assumo hoje que sou caçadora
Sempre fui e sempre o serei
Por muito que finja esquecer
Por muito que renegue as origens
é mais forte do que eu
Uma vez caçador
sempre caçador
O que nos move está para além do inexplicável
Não consta das regras da sociedade
Tal como a conhecemos hoje
Vem de longe
dos tempo antigos
onde podíamos ser nós
o gosto, o sabor de conhecer alguém
o flirt de ir desvendando aos poucos
o outro
a primeira saída
o primeiro face to face
o seu perfume no nosso nariz
os nossos olhos nos seus olhos
o ritual uma e outra vez
sem mais nada
o seduzir por seduzir
porque sabe bem
porque nos alimenta o ego
porque nos sentimos imortais
E a pele a arder
Quem o sentiu sabe que é impossível fugir,
Negar-lhe a existência
Somos caçadores
Caminhamos na noite
por entre as tribos
entre os corpos iluminados
Escolhemos com calma
o que interessa vem a seguir
Seduzimos porque somos imunes
Amamos aquilo em que nos tornamos
e de repente tudo acaba
tão depressa como começou
o 1º beijo
é o fim de tudo
está feito
já nada é igual
Perdemos a loucura
De febris passamos a seres racionais e lógicos
Abrimos os olhos e vemos a realidade
Tal como é
E já não queremos
Rejeitamos o presente
E fugimos para o futuro
De volta à tribo
Áquilo que fingimos ser
Até algo de novo nos despertar os sentidos
A febre a subir
Quente, quente, quente
um corpo enrolado no outro
olhos nos olhos
colocações estratégicas de aproximação e fuga
para chegar a um objectivo final
A caça
Somos caçadores
E gostamos de o ser
Mesmo que quando racionais
Tenhamos a consciência de todo o mal
que causámos
E lamentamos
A sério que lamentamos
Mas é mais forte que nós
Somos o que somos
desde o ínicio dos tempo
e até ao fim...
@ 08/02
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
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