quarta-feira, março 17, 2010

na porta do deserto

encontrei uma tempestade de areia... e perdi-me
acusam-me de ter fugido
de ter abandonado quem ficou à porta
mas não se aperceberam
que levada pela tempestade me perdi
e desde aí tenho tentado encontrar o caminho
caminho incessantemente
na esperança de encontrar onde estava
de encontrar alguém que me diga onde me encontro
o vento na areia teima em apagar os caminhos
sinto-me às voltas
e sem sair do mesmo sitio
teimosa insisto
e volto a caminhar
e por momentos penso que estou a chegar lá
e logo o vento levantado pelas palavras
pelos actos me tapa a vista
a areia nos olhos faz-me chorar
paro e rodo sobre mim
enrolo-me sobre mim mesma e espero que passe
às vezes passa rápido
às vezes são tempestades em cima de tempestades
e eu aqui com o vento como companhia
se o deserto tem que se passar acompanhado
onde está a minha companhia
onde andam os amigos
quem deveria estar aqui
eu perdi-me mas não fui a única
outros houve que ficaram à porta do deserto
e que foram recolhidos
e agora seguem juntos
eu sei que hei-de conseguir sair do deserto
um dia encontrarei a saida
resta saber se estarei igual
se serei eu

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