quarta-feira, outubro 21, 2009
Um dia
de não conseguir adivinhar o que se passará a seguir
de não ter certezas de que a minha acção provocará aquela reacção
gostava simplesmente de não saber
do imprevisto de lidar com alguém que é diferente
que não respeita o jogo que lhe ensinaram desde pequeno
Um dia gostava de poder falar livremente sem o medo
de condicionar, de moldar, de determinar
os instantes seguintes
Um dia gostava que se antecipassem a mim
soubessem de mim antes de mim
Me fizessem sorrir inconsequentemente
e quando me magoassem que o fizessem
porque foram simplesmente humanos
e não pessoas
Um dia gostava de não ter de pedir
nem falar nem escrever
bastaria olhar
Um dia os meus pensamentos seriam secundários
perante tanta antecipação
e nesse dia eu sorriria
aquele sorriso guardado há muito
uma gargalhada no ar ecoaria
e seria feliz
mas esse dia tarda em aparecer
por isso fico por aqui
quieta, a olhar o mundo
e a pensar
como são previsíveis as pessoas.
Calei
Calei e logo os seres pedantes subiram os degraus que os fazem superiores e começaram a gritar...
Olho-os e penso ainda bem que deixei de falar
Porque o silêncio traz-nos de volta a nós
e eles continuam ali no palco sem perceberemque nunca serão unos... Viver cansa mas não abdicaria um único dia
de viver a minha vida com sangue, suor e lágrimas
mas é minha
é tua
é aquela que sentimos nossa só nossa
cansei do mundo
espero que o mundo se canse de mim
e me deixe aqui...um dia se me apetecer talvez volte
@ 14/10
terça-feira, setembro 22, 2009
Mitos Urbanos
começa a parecer-me cómico
Ao cair do primeiro
ficamos sinceramente triste
e a pensar que fomos enganados
Ao cair do segundo
começamos a questionar
se somos nós que sonhamos demais
ou as pessoas que fantasiam a realidade
Sim é verdade que os gostos não são todos iguais
mas se muita gente o diz então deve ser verdade
pensamos nós ingénuos e incautos
Mas quando cai o terceiro mito
não resistimos a fazer aquele sorriso matreiro
de "apanhei-te"
e deixamos de acreditar
em muitos dos mitos urbanos que nos povoam o universo
A menos que sejam criados por nós
Para os mais curiosos
o primeiro a cair foi Tavira
Ah essa bela localidade
linda, magnífica, etc e tal
Pois aos meus olhos
revelou-se normal, banal
reduzida a uma cidade com o seu rio e as suas pontes
e com o mimo do rio mudar de nome a meio
só porque sim
porque é mais giro
Lamento mas quem diz a verdade não merece castigo
e que eu saiba ainda temos direito
às nossas opiniões
Salvou-se a rua da casa das portas
rua essa pitoresca
invulgar com a sua luz, animação e boa comida
Por uns momentos convencemo-nos
que não estamos em Portugal
e muito menos no Algarve
Mito Nº2
Pego do Inferno
Esse local paradisíaco
uma queda de água
no meio do nada
com uma pequena lagoa onde se pode nadar
Bem a queda de água está lá
a lagoa apesar da água
castanha e com espuma também
o meio do nada é que pode ser relativo
Já que desde um café/bar
no inícioe até à lagoa
existem umas escadas
com muitas indicações
e também muitos graffitis
tornando toda a envolvente natural suja
roubando-lhe o que tinha de melhor
E passamos ao mito nº 3
Este sim
digo-vos que já o esperava
só não aprende quem não quer
Os Bifes do Café de S. Bento
os famosos, os únicos de que todos falam
e que segundo as revistas
são dos melhores bifes de Lisboa
Bem está tudo lá
o ambiente íntimo e acolhedor
o bife em sangue como se exige
uma textura magnífica
um molho alvo
ficamos a olhar como crianças
para uma guloseima
o problema é quando se prova
o dito bife não sabe a muito
para não dizer a nada
e o molho revela-se ínsipido
Acabando por não fazer muita diferença
ter ou não ter molho
Convenhamos que dar 20€ por um simples bife
faz com que esperemos no mínimo
algo que nos saiba, que tenho sal ou açúcar ou qualquer outro condimento
mas que saiba
Contudo, e para que não digam que sou radical
e corto a direito
Conto lá voltar um dia destes
Dando uma segunda oportunidade
aos ditos bifes
Se dou tantas oportunidades
a quem não vale muito
Porque não dar
"aos melhores bifes de Lisboa"?
sábado, setembro 19, 2009
A história
histórias entrelaçadas
O tempo constrói-se
de inícios, fins e alguns recomeços
Quando sentimos que não dá mais
encerramos um capítulo
fechamos o livro
colocamos de lado aquela história
Esquecemos que aquela
também somos nós
ou pelo menos
aquilo que fomos um dia
Ao guardar essa memórias
cuidamos para não nos guardarmos
a nós
por mais apetecível que seja
a possibilidade de sairmos de nós
e ficarmos arrumados numa prateleira
a ver
a observar os outros e o mundo
e nós com o pó por companhia
sem sentir
sem querer
@13/09
Do outro lado do espelho
observando relógios de sol
as sombras indicando
os minutos, as horas
Caminho
Penso
Sinto
Deste lado do espelho
a realidade não é cor-de-rosa
e o mundo não se divide
em preto e branco
Pelo contrário
cada vez tem mais cinzentos
Do outro lado do espelho
espero um abraço
um sorriso
de mim para mim
Do outro lado do espelho
tudo parece tão mais frágil
como um castelo de vidro
os relógios de sol
dizem-me que a noite
não tarda a chegar
e as luzes começam a iluminar-me
desta lado do espelho
e a mostrar um rosto cansado
do outro lado do espelho
já nada vejo
nada sinto...
@03/09
segunda-feira, agosto 31, 2009
Lisboa à Noite
A Lisboa dos bairros enfeitados
Luzinhas mil espalhadas pelas suas colinas
Esta Lisboa que amo
e que me embala no seu regaço
que me pisca o olho
catraia rabina
que me sorri como uma mãe
As esplanadas, os cafés
o convívio boémio
de uma velha senhora aristocrata
Da Sé a Belém
Majestosa
Começo a conhecer-lhe as ruas
os sons
os cheiros que se vão tornando familiares
a cada dia que passa
E uma noite quente
que traz o sossego
o sussurro da lua
brilhante e distante lá no alto
Este sobe e desce do eléctrico
percorrendo a cidade
pela noite
Imagem irrepetível
momentos inesquecíveis
nesta cidade que amo...
@ 29/08
A Lisboa que vive
nas esquinas
nos becos esquecidos
que lhe transmitem vida
que mostram a realidade
de um povo que não esqueceu
Simplesmente conformou-se
Aceitou o seu fado
E aguarda a paisagem
dos dias
dos meses e dos anos
com uma calma
uma displicência
que outrora não possuía
onde estão os genes
que nos levaram
"por mares nunca dantes navegados"
Onde está a paixão
que nos moveu por aí abaixo
para conquistar terra
construímos cidades
descobrimos caminhos
E depois conformámo-nos
Deixámos ir
o que de melhor tínhamos
resta-nos esta cidade
que ignoramos ou desprezamos
mas que revela
o que fomos
e onde chegámos
mesmo que seja passado
o verbo que se utiliza
se perdemos os genes
ao menos guardemos a memória
e a história daqueles que desafiaram
os limites
o desconhecido
e contruíram aquilo
que damos por adquirido
@29/08
quinta-feira, agosto 27, 2009
As mentiras que embalam os nossos dias
é imperativo que se admita
que o ser humano mente
subtilmente ou descaradamente
mas mente
mente-se por tudo
e mais qualquer coisa
mentimos para não magoar
mentimos para proteger
mentimos para enganar
sempre por coisas ou pessoas
mas o que dizer daqueles
que mentem para nada
por nada
daquelas mentiras tão vazias
tão insípidas
que não têm razão de existir
que a resposta honesta à nossa pergunta
também teria caído bem
sem fantasias
sem meias verdades
sem ilusões
para quê mentir assim
não vale a pena
principalmente quando conhecemos a pessoa
e sabemos que não está a ser verdadeira
damos uma nova hipótese
e a pessoa insiste na mentira
e começamos a questionar
o que leva essa pessoa a ser assim
a questionar tudo o que ela diz
e o que faz
e a pessoa perde a face
para nós
mesmo que conte a verdade
já não é a mesma coisa
perde-se a credibilidade
a fiabilidade
e tudo por fios vazios de história
desprovidos de importância
e que ficariam assim para sempre
não fosse a mentira
e as mentiras começam a incomodar
começamos a perguntar
só para saber até onde vai a mentira
e a pessoa vai contando
mais histórias mas não a verdade
e chega a um ponto
em que deixamos de ligar ao que a pessoa diz
ou que deixamos de ligar à pessoa
e será que valeu a pena
é que existem mentiras
pelas quais vale a pena
morrer
outras nem por isso
são inócuas
e só ganham relevância
quando começam a ser recorrentes
e aborrecidas
e não vale a pena
disfarçar porque te conheço melhor do que julgas
e sei distinguir quando hesitas e começas a mentir
segunda-feira, agosto 17, 2009
Miradouro da Graça
com um sol calmo a descer sobre a cidade
Agarro-me a esta imagem
respiro fundo
quando a brisa toca o meu rosto
e retenho ao máximo o que posso
deste momento
como se quisesse entrar dentro dele
e aí permanecer
fora do tempo e do mundo
imóvel
imutável
indolor
Milhares de turistas de máquinas na mão
lembram-me que por vezes também sou
turista dentro de mim mesma
viajo no meu interior
tiro umas fotos e saio o mais rápido possível
Existem imagens de mim
que prefiro ignorar
não ver para não ter que lidar com
Cada vez mais regresso à minha infância
nesta cidade para onde voltei
sinto-me uma estranha aqui
mas também é verdade
que agora me sinto estranha em qualquer lugar
muito tempo no mesmo sítio
e sinto-me sufocar
Misturo-me no meio da multidão
para desaparecer
para não ter que me lembrar quem sou
e donde venho
e que tenho de ir para algum lado
todos nós temos que ir para algum lado
o problema é quando não sabemos
para onde queremos ir:
ou não vamos
ou vamos mal
e existem decisões na vida
que não são irreversíveis
mas também não são reversíveis
sempre arrisquei em ir
paguei para ver
tento sempre não me arrepender
e retirar algo de bom de tudo
o que acontece
mas agora não consigo
porque se calhar nada de bom
vai acontecer desta situação
não existe nenhum win-win escondido
só loose-loose
@16/08
domingo, agosto 16, 2009
Cata-ventos II
sinto-me como eles
Se me pagassem agora pela mão
eu iria até ao fim do mundo
sem perguntar
sem questionar
Continuo vegetal
o olhar parado no horizonte
e no rádio a música do Rui Veloso
"eu nunca me esqueci de ti
não nunca me esqueci de ti"
@14/08
@ 13/08
Essa paisagem sem fim
que se avista aqui do cimo da vila
o silencio ecoa na minha cabeça
finalmente silencio
finalmente um pouco de paz
aqui e ali soam as vozes
de turistas que se atrevem a caminhar
debaixo deste sol impiedoso
queres explicações
queres perceber os porquês
Mas sabes,
existem alturas na vida onde não
existem porquês
onde a vida simplesmente discorre
por ela própria sem explicar
o que nos trouxe aqui
até esta encruzilhada
sabemos de onde viemos
Mas neste momento
procuro para onde quero ir
certezas são tão difíceis de encontrar
por estes dias
Aqui o tempo tem a sua própria forma de passar
Aqui o sol arde mais forte
queima mais a pele
deixa marcas profundas
No meio do nada
um sobreiro resiste sozinho
cresce isolado de tudo e de todos
e para mim
é essa a imagem mais marcante
deste Alentejo profundo
onde me sinto em paz
onde estou em casa
sexta-feira, junho 19, 2009
nunca, nada, de ninguém
nunca, nada, de ninguém
nunca o saberemos
nada podemos fazer
não somos de ninguém
espiritos livres
errantes
caminhamos por terra, água e mar
viajamos com a luz, o som, a cor
traduzimos os silêncios em palavras
as palavras em histórias
as histórias em sonhos
e criamos um mundo
nunca pararemos
nada nos prende
de ninguém somos
queremos o conhecimento
desejamos o saber
para antevermos o futuro
saber o amanhã
seria fácil demais para todos nós
permitiria nunca errar
criando assim o maior erro de todos
a perfeição
nunca saberemos
nada dura para sempre
ninguém pode ser muita gente
sentidos
quando todos os nossos sentidos
nos dizem que algo é assim
então muito provavelmente temos razão
mesmo que outros o neguem
mesmo que amuem
são os pormenores que traem
sempre
são os silêncios, as meias palavras, o esconde esconde
que revelam mais do que gostarias
são eles que me dizem de ti
aquilo que não revelas
e no fim tentas disfarçar
pode dar jeito agora
mas não vai durar para sempre
e no fim não resulta em nada de bom...
quinta-feira, junho 18, 2009
perdi-me no calor
angustiada
perdi-me no meio deste calor
não consigo respirar
quero voltar à tona
e sinto-me puxada para baixo
para não pensar tanto perdi-me
e agora não me consigo achar
quero gritar mas não consigo
falo demais
rio demais
esforço-me demais
para manter a naturalidade das coisas
como se tudo estivesse igual
quando se avança por certos caminhos
nada fica igual
simplesmente não é possível
tu já não me reconheces
como podias
se quando penso nisso
nem eu sei quem sou
tantos anos depois
voltamos ao ínicio
e ao mesmo tempo ao fim
afinal eu tinha razão
nada dura para sempre
por muito esforço que as pessoas depositem
é a coragem de arriscar ou não
que nos divide
que nos separa
daqueles que passando no mesmo caminho optaram
daqueles que erraram mas com a certeza de que o fizeram
porque tinha que ser assim
daqueles que acertaram e criaram um sonho
o seu sonho
a realidade nunca é boa
quando o é
simplesmente desconfiamos
achamos que é sonho, ilusão
nunca, nada, de ninguém
terça-feira, junho 02, 2009
demais
se falo muito as pessoas não escutam
se não falo as pessoas ignoram
tento mostrar aquilo que sou
tento dar aquilo que posso
mas mais não posso dar
já dei tudo o que podia
dar mais corro o risco de me perder
e no entanto dar muito ou pouco
vale o mesmo para o caso
compreendem melhor os que estão longe
os que não esqueceram
do que aqueles que chegando agora
vão ficando sem saberem
o que se passa
é sempre nos pormenores que as pessoas se traem
como me disse esta semana um amigo chegado
as pessoas estão sempre a observar
para poderem depois utilizar esse poder
essa informação em seu benefício
e também eu observo
muito
também eu pergunto
e questiono
para perceber onde estamos
e para onde queremos ir
e sempre que chego a uma conclusão
afinal não o é
porque certezas não há
a não ser o que nos vai na alma
e que guardamos da vista dos outros
acordo e sorrio
deito e choro
das profundezas do mar ao pico da montanha mais alta
da alegria as lágrimas em 5 segundos
e no entanto há quem perceba quem entenda
o que eu quero
o que eu sempre quis
se calhar só eu é que não sei o que é
se calhar estou cansada
segunda-feira, junho 01, 2009
Um dia
porque o que existe não é igual ao sonhado
porque quero saltar mais do que o possível
esqueço-me que não tenho asas
para voar
e caio
e doi
e volto a levantar-me
para fingir que está tudo bem
um sorriso no rosto
e piadas de circunstância
e odeio-me por ser assim
por querer voar alto demias
por querer
por construir castelos
a escuridão ultrapassa a luz
e espera por ela escondida
espera pelo momento certo para a tapar
um dia vou aprender
vou ter asas mas não vou querer voar
um dia vou aprender
a sonhar mais pequeno
mais perto do chão
vou desistir de andar por ai a construir castelos
nesse dia perderei o brilho do olhar
mas também não haverá mais lágrimas
e morrerei para mim
existirei apenas
para os outros
e todos eles serão felizes
quarta-feira, maio 20, 2009
Dizes
ris-te para te sorrir de volta
mas eu aqui fico
na minha zona de conforto
vou-me animar de quê?
animar para quê?
Sinceramente não me apetece
o que eu quero mesmo
é alguém que me conheça
alguém que saiba o que eu quero
sem ter que falar
sem ter que pedir
deixar-me ir
deixar que outros me levem
que falem por mim
porque eu já não quero
que peçam por mim
porque eu já não acredito
Alguém que saiba
quem sou
de onde venho
o que me move
sem ter que falar
sem ter que explicar
vezes e vezes sem conta
e no fim
não está aqui ninguém
se calhar nunca esteve
a minha mente
trai-me muitas vezes
criando castelos ilusórios
que não existem
mas que doem
como se tivessem sido
bem reais
@19/5
segunda-feira, maio 18, 2009
Paneis Solares
que supostamente representa
a nossa apresentação
esboço um sorriso triste
Paineis que reflectem um campo de sonhos
que confundem a visão
verdade que só acreditamos
porque queremos
E é assim tão errado?
Paineis que reflectem a luz
e a dor que trazemos no rosto
Disfarçamos sorrisos
Inventamos piadas
Tudo para que ninguém saiba
o que nos vai na alma
Achámos que era desta
que ficaríamos bem
mas a melancolia insiste em ficar
a dor permanece
e apetece-nos chorar
Porque além bem lá no fundo
um dia perdemos algo
e essa perda foi para sempre
Penso cada vez mais em regredir
saber o que fui
quando foi que me perdi
encontrar a resposta para aquilo
que procuro incessantemente
e nunca fui capaz de reencontrar...
Sóis
Desenho mil sóis
como forma de me animar
de acreditar
que amanhã será tudo azul
e que o sol sorrirá para mim
e eu sentirei a sua luz
os seus raios na minha pele
e serei feliz
Por uns instantes serei feliz
Continuo a desenhar sóis
Infantis, primários
Juvenis, primaveris
com olhos e sorrisos
Humanizando-os para me sentir melhor
Estendo a mão e tento
agarrar o sol
Apetece-me chorar
mas cair agora
não pode ser
nunca pode ser
deixar-me cair
seria o inicio do fim
e desenho mais um sol
este a chorar
para que as lágrimas que correm
sejam fantasia
já que as minhas são bem reais
No teatro dos sonhos
podemos ser o que quisermos
Anões, elefantes ou palhaços
Trapezistas ou advogados
heróis de banda desenhada
ou simplesmente nós
No teatro dos sonhos
as mascaras ao alto
atrapalham a visão
distorcem a realidade
criando histórias
sobre histórias
contos de encantar
que nos remetem para a infância
onde éramos felizes
e pensávamos que iriamos
ser sempre assim
No teatro dos sonhos
somos marionetas
da nossa própria criação
manipulamos a nossa história
ao som dos passos
criando espaços de luz e cor
que contrastam
com a escuridão
que carregamos dentro de nós
queremos ser nós
e ao mesmo tempo outros
sair de nós
e pairar como seres errantes
sem corpo e sem alma
Esquecermo-nos de nós
e das dores que carregamos
No teatro dos sonhos
criamos castelos de encantar
com a pretensão de que
só será realidade se o quisermos
E eu quero viver
Estou farta de ter dores
Estou farta de estar doente
Estou farta de ver o tempo passar
Quero viver aqui e agora
Quero que os meus castelos
saiam do teatro dos sonhos
e se tornem parte
do teatro da vida....
@16/5
