Neste final de tarde
com um sol calmo a descer sobre a cidade
Agarro-me a esta imagem
respiro fundo
quando a brisa toca o meu rosto
e retenho ao máximo o que posso
deste momento
como se quisesse entrar dentro dele
e aí permanecer
fora do tempo e do mundo
imóvel
imutável
indolor
Milhares de turistas de máquinas na mão
lembram-me que por vezes também sou
turista dentro de mim mesma
viajo no meu interior
tiro umas fotos e saio o mais rápido possível
Existem imagens de mim
que prefiro ignorar
não ver para não ter que lidar com
Cada vez mais regresso à minha infância
nesta cidade para onde voltei
sinto-me uma estranha aqui
mas também é verdade
que agora me sinto estranha em qualquer lugar
muito tempo no mesmo sítio
e sinto-me sufocar
Misturo-me no meio da multidão
para desaparecer
para não ter que me lembrar quem sou
e donde venho
e que tenho de ir para algum lado
todos nós temos que ir para algum lado
o problema é quando não sabemos
para onde queremos ir:
ou não vamos
ou vamos mal
e existem decisões na vida
que não são irreversíveis
mas também não são reversíveis
sempre arrisquei em ir
paguei para ver
tento sempre não me arrepender
e retirar algo de bom de tudo
o que acontece
mas agora não consigo
porque se calhar nada de bom
vai acontecer desta situação
não existe nenhum win-win escondido
só loose-loose
@16/08
segunda-feira, agosto 17, 2009
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