segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Tristes
Cabeças baixas
olhos semifechados
transportamos no rosto
o desalento
uma dor que não percebemos
mas que nos faz sentir pequenos
E não conseguimos reagir
Não conseguimos acreditar
que vai mudar
que não pode ser sempre assim
E eu pergunto a todos aqueles
que à minha volta
se tornaram meros reflexos
Porquê?
Porque não reagem
porque não vêem além da escuridão
Voltar a acreditar é tão simples
uma flor
um som
um cheiro
É tão pouco e
contudo é tudo
é o mundo enrolado
numa onda
é a beleza da vida
da mesma vida em que já não acreditamos
Gostamos de complicar
o que é simples
Dói? Muito mas provavelmente
vai continuar a doer para sempre
no matter what
Por isso não vale a pena
Há que aprender
Re-aprender os pequenos gestos
que de tão simples
nos parecem inalcançáveis
empolados pela ausência
de conhecimento
Há quem se tenha esquecido de viver
ou de agradecer por estar vivo
e poder aproveitar
Olhamos à nossa volta
e temos que nos sentir afortunados
porque sabemos sentir
o gosto das coisas
porque vibramos com os sons
porque fazemos "fotossíntese"
Como "tolos"
deitamo-nos ao sol
e ficamos
parados
simplesmente a viver
é tão simples quanto isso
Problemas todos temos
é a capacidade de ver para além
que nos torna diferentes
Sentimos mais a dor
mas também é verdade
que extraímos beleza
onde os outros nada vêem
Dos vazios da mente
construímos castelos na areia
Da escuridão criamos luzes a brilhar
Somos sonhadores
E gostamos de ser assim
Porque somos felizes
Quase sempre
E retiramos da tristeza e da doença
as condições necessárias
para crescer
cada vez mais
em direcção ao sol...
@11/02
A caça e o caçador
Quantos de nós somos caçadores
Quem assume a sua realidade
Pura e nua
Sem máscaras sem luzes
nem sombras
Sabe que é inegável
o sabor da aventura
do mistério
o sangue a pulsar nas veias
a pele a pedir mais e mais
Assumo hoje que sou caçadora
Sempre fui e sempre o serei
Por muito que finja esquecer
Por muito que renegue as origens
é mais forte do que eu
Uma vez caçador
sempre caçador
O que nos move está para além do inexplicável
Não consta das regras da sociedade
Tal como a conhecemos hoje
Vem de longe
dos tempo antigos
onde podíamos ser nós
o gosto, o sabor de conhecer alguém
o flirt de ir desvendando aos poucos
o outro
a primeira saída
o primeiro face to face
o seu perfume no nosso nariz
os nossos olhos nos seus olhos
o ritual uma e outra vez
sem mais nada
o seduzir por seduzir
porque sabe bem
porque nos alimenta o ego
porque nos sentimos imortais
E a pele a arder
Quem o sentiu sabe que é impossível fugir,
Negar-lhe a existência
Somos caçadores
Caminhamos na noite
por entre as tribos
entre os corpos iluminados
Escolhemos com calma
o que interessa vem a seguir
Seduzimos porque somos imunes
Amamos aquilo em que nos tornamos
e de repente tudo acaba
tão depressa como começou
o 1º beijo
é o fim de tudo
está feito
já nada é igual
Perdemos a loucura
De febris passamos a seres racionais e lógicos
Abrimos os olhos e vemos a realidade
Tal como é
E já não queremos
Rejeitamos o presente
E fugimos para o futuro
De volta à tribo
Áquilo que fingimos ser
Até algo de novo nos despertar os sentidos
A febre a subir
Quente, quente, quente
um corpo enrolado no outro
olhos nos olhos
colocações estratégicas de aproximação e fuga
para chegar a um objectivo final
A caça
Somos caçadores
E gostamos de o ser
Mesmo que quando racionais
Tenhamos a consciência de todo o mal
que causámos
E lamentamos
A sério que lamentamos
Mas é mais forte que nós
Somos o que somos
desde o ínicio dos tempo
e até ao fim...
@ 08/02
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Repetição
Repetimos para nós mesmos
para nos convencermos
Repetimos para os outros
para os convencermos
Regra geral de algo que não existe
Essa é a atracção da repetição
"uma mentira dita muitas vezes torna-se verdade"
Convencer os outros é fácil
mas repetimos vezes suficientes
para nós?
Para nos convencermos que é real?
Não somos nós sonhadores por excelência
Em que vivemos em inconstância
entre os sonhos e a realidade
entre o que queremos e que temos
Repetimos
Forçamo-nos a crer
Quando o que a manhã revela
aparecendo subitamente
através das sombras da noite
é algo bem diferente
é algo a que chamam realidade....
Pessoas destituidas de inteligência
Idiotas...
Existem pessoas realmente idiotas por natureza
está-lhes no sangue
na raiz do seu ser
Pode não ser socialmente correcto
mas tem que ser dito
temos que assumir que elas existem
A questão é o que fazemos
quando temos que lidar com eles?
Como agir?
O que dizer?
Na absurda tristeza das suas exposições
No rídiculo dos seus actos
Sentimo-nos X
enjoados, irritados
e os idiotas não percebem
Haja paciência
Máscaras
Ver, sentir, resistir
ao tempo e ao desalento
dos véus inebriantes
que obscuram as faces
da multidão
Ao som do cair das máscaras
fugir
Fechar os olhos e não ver
a expressão viva
dos horrores escondidos
quarta-feira, novembro 21, 2007
Não pensam
Seres errantes
Que caminham algo difusos pelas ruas
Vemos o seu rosto iluminado
pelas luzes
Olhamos os seus olhos e vemos
o vazio
a felicidade obtusa de quem não pensa
de quem não questiona
De quem não sabe que existe um mundo
fora do seu mundinho
Não quer saber
Nem sentir
Existem aqueles seres que vivem
no seu mundo próprio
onde tudo tem um espaço e um tempo
onde as disfunções ficam à porta
Escolheram viver assim
e são felizes
Invejo-os
Eles sim são os sortudos
Porque não sentem
a fome e a sede
a dor e a angústia
de pensar, questionar
Porquê?
De sentir na pele o tempo
a discorrer
e o caos a envolver-nos
Olhamos esses seres de lado
como se fossem idiotas
mas na verdade
eles passam pela vida
e na sua perspectiva
são felizes sempre
pouco os afecta
A esfera criada protege-os
e nós os outros
aqueles que queremos saber sempre
sentir sempre
para aqui ficamos
vivemos a vida
sentimos cada minuto cada segundo
a contar
a arder na pele
as vozes na nossa cabeça
constantemente a pedir mais
e invejamos aqueles que negam a "sabedoria"
e o sentimento
mas são felizes
naquele seu mundo
onde o tempo e o espaço
estão arrumados em prateleiras
devidamente classificadas
domingo, novembro 18, 2007
E se?
Por vezes resistimos
mas a pergunta permanece sempre
E se?
Quantas e quantas vezes revemos o passado
E perguntamos e se?
Se tivéssemos seguido pela direita
e não pela esquerda
Se tivéssemos tido a coragem
de atirar tudo ao alto
e começar de novo
Como estaríamos agora?
Seríamos felizes?
Neste ponto faço mea culpa
e assumo
o mal que fiz, que provoquei
quando em actos de puro egoísmo
paguei para ver
Foram anos e anos a pagar para ver
E se fosses tu?
Perdi amigos, perdi relações importantes
mas segui sempre os instintos e paguei
para ver
O preço esse, salvo raras excepções,
foi sempre alto demais
E se?
Mas embora tenha crescido
e permanecido
As vozes na minha cabeça
as imagens que vejo e revejo
que invento para tentar adivinhar
o que teria acontecido
Apetece-me gritar
Não temos o direito de ser egoístas
Não teremos o direito de
escolher ser felizes?
Não sei se conhecem o filme
"Sliding doors"
Aquele em que um único momento
pode mudar toa uma vida
Num segundo, apanhamos o metro chegamos a casa
e ficamos sem vida
porque descobrimos que somos enganados
Num segundo, perdemos o metro e no dia seguinte nada se passa
e vivemos eternamente uma mentira
É injusto
Deveríamos puder abrir portas no tempo
que nos permitissem viver por
breves instantes
essas vidas paralelas
que nos permitissem saber
como seria
como nos sentiríamos
Congelar o tempo no espaço
de uma vida
E ir atrás
abrir todas as portas e perceber
o que falhou
onde errámos
Seria assim pedir tanto?
PS- não me interpretem mal...adoro a minha vida mas sinto-me incompleta por não saber
E se?
segunda-feira, novembro 05, 2007
Respirar
Breathe in Breathe out
Corro sem parar
Sem descansar
um minuto, um segundo
O tempo sempre a contar
um minuto, um segundo
Tanto para fazer
para ler
para saber
locais por descobrir
sabores por apreciar
um minuto, um segundo
Breathe in Breathe out
Breathe in Breathe out
07.10.27
Reencontros
Passados tantos anos
Conto agora os dias
que faltam para te reencontrar
A ti minha amiga
Minha conselheira
Minha fada madrinha
Contigo sempre pude ser eu
Falávamos de tudo
de nós e do mundo
do mundo e dos outros
Os silêncios enchiam-se de formas,
de significados
Contigo descobri o fado
Descobri o Pessoa, o Álvaro de Campos
O Ricardo Reis
Eras directa, dura e crua
e isso bastava-me
o tempo, as pessoas,
as ideias afastaram-nos
e agora que nos reencontrámos
sinto-me constrangida
Não sei que te dizer
Nem sei por onde começar
Deixei-te parada no tempo...
Saí a correr atrás de uma nuvem qualquer
Que me levasse longe
além mar
que me criasse chuva
E agora que tive a felicidade de te encontrar
Não sei que te dizer
Conseguiremos redescobrir o que fomos
Seremos de novo
a simetria e a lógica
o pensamento e o sentimento
Depois de ti não existiu mais nada
A ligação foi quebrada
e jamais substituída
Até agora
E se tu mudaste? E se eu mudei?
Em breve saberemos...
Pedes
Que esqueça
Que finja que nada aconteceu
Como? Porquê?
Como me podes pedir
que esqueça todo o mal que nos fizeram
todas as injustiças cometidas
As mentiras, as intrigas
a má-formação
Sempre que aceito calar
as vozes na minha cabeça
enlouquecem
berram, esperneiam
odeiam-me
por aceitar calar mais uma vez
por aceitar esquecer
Mas será que se esquece?
Olvidares cada minuto em que te magoam
em que te gozam
em que te copiam
mês após mês
ano após ano
pormenor a pormenor
acessório a acessório
tudo o que seja
necessário para ficar igual
par se possível ficar melhor ainda
ser a melhor
a melhor farsa?
Quem sente não esquece...e se diz que sim é mentiroso
07.10.27
Cansei...
Mais não
Cansei de lutar
de ferir as minhas mãos no gelo que é a tua alma
Cansei da dor
da incompreensão
Cansei
de cavalgar errante
contra os moinhos de vento
"A sorte protege os audazes"
De que? De quem?
A sorte protege os estúpidos
aqueles que não arriscam
aqueles que não criam
Quem ousa ser
é tristemente apanhado nas malhas
Quem ousa falar
é silenciado pelo ruído ensurdecedor
da multidão
Venham a mim todos aqueles
que acreditam que viver dá trabalho
Mas que vale a pena cada segundo, cada minuto
Juntemos as mãos e caminhamos passo a passo
até ao horizonte
o sorriso nos olhos diz tudo
quando já tudo foi dito
quando o nada nos alivia a alma
quando a ausência de estupidez
nos faz incrivelmente felizes,
fantasiosos e livres
quinta-feira, agosto 30, 2007
Único
o que temos é unico
irrepetível
inigualável
dá trabalho é certo
mas não o queria com mais ninguem
Hábitos
Bons e maus
Habituamo-nos
Acostumamo-nos a tudo
Desde o nascimento
Até à morte
a vida de um ser humano
não é mais que habituar-se
àquilo que lhe dão
àquilo que obtém dos outros
e dele próprio
Habituamo-nos a tudo,
ao riso, à alegria,
à tristeza, às lágrimas,
à fome, ao desalento.
Até nos habituamos
à nossa própria solidão
Podemos não gostar
Podemos até odiar
Mas tal como peixes seguindo a corrente
Nós avançamos assim mesmo
como se nada houvesse
que pudesse acabar com esse hábito.
Percorremos sempre os mesmos caminhos,
os mesmos passeios, as mesmas estradas
Frequentamos sempre
os mesmos lugares
convivemos sempre
com as mesmas pessoas
Teremos assim tanto medo
de conhecer mais alguém
de vivermos um dia
diferente do outro
de fugirmos à rotina
aos nossos hábitos
aos nossos costumes.
94.11.03
Tudo porque amanhã...
Eu quero gritar
E correr e voar
Quero chegar além do impossível
Quero viver os meus sonhos
Concretizar os meus desejos
Levem-me até ao mar
Quero mergulhar nele
Quero viver a vida contida nele
Tudo porque amanhã...
Hoje
Quero beber, beber até cair
Deixem-me fazer tudo
por tudo
Quero fazer o pino
Rodar e rodopiar
Dançar até não poder mais andar
Deixem vir a chuva até mim
Quero molhar-me nela
Quero bebe-la
Quero viver a vida num minuto
num segundo
Tudo porque amanhã...
Hoje
Quero amar
E ser amada
Conseguir a felicidade à muito esperada
quero rir
quero sonhar
e viver
muito
Viver para sempre
Quero chorar de tanta dor
Tudo porque amanhã
já não acordarei...
94.11.03
Algures...
além desta vida
deste corpo onde nos encontramos encerrados
Somos espíritos livres
Rebeldes
Pedimos a fama e a glória
dos nosso pequenos actos
Mas pedimos mais
Recusamos as prisões mentais
em que nos enfiam
Recusamos os falsos preconceitos
invenções de covardes
Recusamos ser rotulados
Apenas pedimos
Que nos deixem viver
Libertamos o espírito
Porque não o podemos fazer ao corpo
Viajamos
Sonhamos
Divertimo-nos
Na inconstância desta vida
Onde pelo que dizem
Tudo é relativo
É a relatividade a base de todos os nossos confrontos...
95.04.06
Diários
passei, passeei,
por vezes olhava para trás
mas eram só ecos
de passos antigos
nos paços esquecidos...
na areia
as pegadas sempre apagadas
pelo tempo e a água do mar
E o tempo passa,
longe, num passeio distante,
disse que queria envelhecer contigo
só aprendi com o tempo
e nesta idade
só tenho tempo para ti...
na areia
um relógio de sol
marca o tempo
um dia apagado
pela água do mar...
R.P.C
domingo, agosto 12, 2007
Pormenores
Por muito que as pessoas se esforcem
Por ser aquilo que nunca serão
Por parecer aquilo que gostariam de ser
Tanta esforço tanta farsa
E no fim são os pequenos pormenores
que deitam tudo a perder
que revelam aos outros a verdadeira face
Perdem a cara por não conseguirem ser
algo tão simples como educadas...
sábado, agosto 11, 2007
Nada dura para sempre
hoje caiu uma parte do meu mundo
existem aquelas coisas que sabemos que vão ser para sempre
que vão estar sempre lá aconteça o que acontecer
e de repente esse algo esse item deixa de existir
o mundo roda mais depressa
o chão sai dos nossos pés
e nós não percebemos porquê
porque é que nada dura para sempre
porque é que aquilo que mais temos de seguro se revela mera ilusão
sinto-me atordoada
como se a minha alma estivesse sentada à minha frente a olhar
para mim
para o meu desapontamento
dói-me como se fosse comigo
recuso-me a acreditar que algo eterno se desmorona assim
porque se acreditar
então tudo pode acontecer
e nada é sagrado nem imutável...
e não há certezas
nem finais felizes
e a realidade ganha mais uma vez
segunda-feira, agosto 06, 2007
The words beneath the songs
Rise up my friend
Don’t fall down again
Look at the sky
And fly
Fly away so high
Follow your dreams
Follow your thoughts
I know will meet again
When you stop trying to fly
Over the rainbow alone
So afraid what people might say
But that's ok because we're only human
We’re strong enough
Our image at the mirror
Tel us all we need to know
Rise up
If you're tired of being what is expected
If you're becoming numb
Stop
Look at the sky
And smile
You win again
'cause you know what life tastes
No more lies
No more sorrow
No more envy
In the end what really matters is living
Is flying away
Don't forget your wishes
Open your eyes
And come with us
Fly over the rainbow so high
