quarta-feira, maio 06, 2009

Fado

É o fado daqueles que vendo
a areia a escorregar pelas mãoes
sentam-se e esperam
que a vida se esvaia
por entre os dedos
Esperam que o depois de amanhã
traga a calmia
a normalidade a que se habituaram
e que os protege de viver
de sentir
de sofrer e gritar
de chorar e sorrir
É seu fado
ficarem ali sós
e parados no tempo
Por alguma resolução
tomada no passado distante
perdem tudo menos
a sua convicção de que estão certos
de que eles são os que vêm
e todos os outros não
Falam, prometem
mas nada dizem
nada fazem
acham que as coisas são assim
e serão assim para sempre
Desconhecem o efeito
das pulsões no comportamento de um ser
Desconhecem o sonho por trás do acordar
a pele a pedir
a suplicar por mais
Desconhecem a sede
de viver e de sonhar
Ficam ali sentados
parados no tempo
convictos que têm razão
Preferindo perder tudo
a ser alguém
a ser um alguém
que vive e se engana
mas que sabe o sabor,
a cor, os sons e as formas
de cada momento que viveu
de cada instante em que fechou os olhos
para captar o momento
e guardá-lo para sempre
dentro de si
Infelizes daqueles que são vazios, ocos
que não conseguem
sentir que o amanhã
será sempre um dia melhor...

1 comentário:

Vadiando... disse...

Não deixes que a vida passe por ti e deixe marcas.
Faz por seres tu a deixar a tua marca nela e no mundo :)