Sei que te vais rir
e dizer-me que se calhar
o que procuro ficou para trás
e eu digo-te que não
que ainda não encontrei o que procuro
que ainda não cheguei a casa
Mas ironicamente onde me sinto mais perto
é aqui
neste Alentejo profundo
de cor e de cheiro
nestes montes verdes e amarelos
que se cruzam no horizonte
com o azul do céu
E quando olho o céu
também ele me sorri
e me diz
Bem Vinda
e por uns instantes estou em casa
mesmo que esta casa
não tenha mar, nem areia, nem ondas para saltar
Mas aqui onde o tempo
anda mais devagar
e os dias e as noites
vão afluindo
discorrendo pelo calendário
Sorrio
e sinto uma paz única
que só se sente aqui
Porque é aqui
que ela pertence
a estes rostos
de sorriso rasgado
cujos olhos brilham
quando nos falam desta terra
destes campos
destes sobreiros
Existem paixões assim
que ao primeiro olhar
ficam para sempre
Não sei se é esta
a terra onde pertenço
mas não me importo nada
de ficar por aqui
entre os azuis e brancos das casas
as ruas estreitas
os montes
as ribeiras
mas sobretudo pela paz que se sente.
@ Alto Alentejo Páscoa 2009
segunda-feira, abril 13, 2009
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