segunda-feira, novembro 05, 2007

Reencontros

Passados tantos anos
Conto agora os dias
que faltam para te reencontrar
A ti minha amiga
Minha conselheira
Minha fada madrinha
Contigo sempre pude ser eu
Falávamos de tudo
de nós e do mundo
do mundo e dos outros
Os silêncios enchiam-se de formas,
de significados
Contigo descobri o fado
Descobri o Pessoa, o Álvaro de Campos
O Ricardo Reis
Eras directa, dura e crua
e isso bastava-me
o tempo, as pessoas,
as ideias afastaram-nos
e agora que nos reencontrámos
sinto-me constrangida
Não sei que te dizer
Nem sei por onde começar
Deixei-te parada no tempo...
Saí a correr atrás de uma nuvem qualquer
Que me levasse longe
além mar
que me criasse chuva
E agora que tive a felicidade de te encontrar
Não sei que te dizer
Conseguiremos redescobrir o que fomos
Seremos de novo
a simetria e a lógica
o pensamento e o sentimento
Depois de ti não existiu mais nada
A ligação foi quebrada
e jamais substituída
Até agora
E se tu mudaste? E se eu mudei?
Em breve saberemos..
.

07.10.27



1 comentário:

Anónimo disse...

Reencontros...
O que seria de nós
se não existissem?
Pensaste, ponderaste...
Numa certa altura,
assustaste-te.
Voltaste atrás mentalmente e...
E se ela mudou?
E se ela não me "perdoou"?
E se já não existe "a" ligação?

Que dizer a não ser...

Estou aqui.
Estou igual.
Com mais rugas,
mais problemas, mais tudo...
Mas igual.
Continuo "meia louca",
gostando do que muitos desconhecem,
tentando dar a conhecer
o que de bom existe
dentro de um tão "pequeno círculo"
como a música ou a literatura.

Continuo igual...
Ou não?...

P.S. - Obrigado pelo reencontro. Foi/É bom...