quarta-feira, novembro 21, 2007

Não pensam

Seres errantes
Que caminham algo difusos pelas ruas
Vemos o seu rosto iluminado
pelas luzes
Olhamos os seus olhos e vemos
o vazio
a felicidade obtusa de quem não pensa
de quem não questiona
De quem não sabe que existe um mundo
fora do seu mundinho
Não quer saber
Nem sentir
Existem aqueles seres que vivem
no seu mundo próprio
onde tudo tem um espaço e um tempo
onde as disfunções ficam à porta
Escolheram viver assim
e são felizes
Invejo-os
Eles sim são os sortudos
Porque não sentem
a fome e a sede
a dor e a angústia
de pensar, questionar
Porquê?
De sentir na pele o tempo
a discorrer
e o caos a envolver-nos
Olhamos esses seres de lado
como se fossem idiotas
mas na verdade
eles passam pela vida
e na sua perspectiva
são felizes sempre
pouco os afecta
A esfera criada protege-os
e nós os outros
aqueles que queremos saber sempre
sentir sempre
para aqui ficamos
vivemos a vida
sentimos cada minuto cada segundo
a contar
a arder na pele
as vozes na nossa cabeça
constantemente a pedir mais
e invejamos aqueles que negam a "sabedoria"
e o sentimento
mas são felizes
naquele seu mundo
onde o tempo e o espaço
estão arrumados em prateleiras
devidamente classificadas

domingo, novembro 18, 2007

E se?

Por vezes deixamo-nos levar
Por vezes resistimos
mas a pergunta permanece sempre
E se?
Quantas e quantas vezes revemos o passado
E perguntamos e se?
Se tivéssemos seguido pela direita
e não pela esquerda
Se tivéssemos tido a coragem
de atirar tudo ao alto
e começar de novo
Como estaríamos agora?
Seríamos felizes?
Neste ponto faço mea culpa
e assumo
o mal que fiz, que provoquei
quando em actos de puro egoísmo
paguei para ver
Foram anos e anos a pagar para ver
E se fosses tu?
Perdi amigos, perdi relações importantes
mas segui sempre os instintos e paguei
para ver
O preço esse, salvo raras excepções,
foi sempre alto demais
E se?
Mas embora tenha crescido
e permanecido
As vozes na minha cabeça
as imagens que vejo e revejo
que invento para tentar adivinhar
o que teria acontecido
Apetece-me gritar
Não temos o direito de ser egoístas
Não teremos o direito de
escolher ser felizes?
Não sei se conhecem o filme
"Sliding doors"
Aquele em que um único momento
pode mudar toa uma vida
Num segundo, apanhamos o metro chegamos a casa
e ficamos sem vida
porque descobrimos que somos enganados
Num segundo, perdemos o metro e no dia seguinte nada se passa
e vivemos eternamente uma mentira
É injusto
Deveríamos puder abrir portas no tempo
que nos permitissem viver por
breves instantes
essas vidas paralelas
que nos permitissem saber
como seria
como nos sentiríamos
Congelar o tempo no espaço
de uma vida
E ir atrás
abrir todas as portas e perceber
o que falhou
onde errámos
Seria assim pedir tanto?

PS- não me interpretem mal...adoro a minha vida mas sinto-me incompleta por não saber
E se?

segunda-feira, novembro 05, 2007

Respirar

Preciso respirar
Breathe in Breathe out
Corro sem parar
Sem descansar
um minuto, um segundo
O tempo sempre a contar
um minuto, um segundo
Tanto para fazer
para ler
para saber
locais por descobrir
sabores por apreciar
um minuto, um segundo
Breathe in Breathe out
Breathe in Breathe out

07.10.27

Reencontros

Passados tantos anos
Conto agora os dias
que faltam para te reencontrar
A ti minha amiga
Minha conselheira
Minha fada madrinha
Contigo sempre pude ser eu
Falávamos de tudo
de nós e do mundo
do mundo e dos outros
Os silêncios enchiam-se de formas,
de significados
Contigo descobri o fado
Descobri o Pessoa, o Álvaro de Campos
O Ricardo Reis
Eras directa, dura e crua
e isso bastava-me
o tempo, as pessoas,
as ideias afastaram-nos
e agora que nos reencontrámos
sinto-me constrangida
Não sei que te dizer
Nem sei por onde começar
Deixei-te parada no tempo...
Saí a correr atrás de uma nuvem qualquer
Que me levasse longe
além mar
que me criasse chuva
E agora que tive a felicidade de te encontrar
Não sei que te dizer
Conseguiremos redescobrir o que fomos
Seremos de novo
a simetria e a lógica
o pensamento e o sentimento
Depois de ti não existiu mais nada
A ligação foi quebrada
e jamais substituída
Até agora
E se tu mudaste? E se eu mudei?
Em breve saberemos..
.

07.10.27



Pedes

Pedes que me cale
Que esqueça
Que finja que nada aconteceu
Como? Porquê?
Como me podes pedir
que esqueça todo o mal que nos fizeram
todas as injustiças cometidas
As mentiras, as intrigas
a má-formação
Sempre que aceito calar
as vozes na minha cabeça
enlouquecem
berram, esperneiam
odeiam-me
por aceitar calar mais uma vez
por aceitar esquecer
Mas será que se esquece?
Olvidares cada minuto em que te magoam
em que te gozam
em que te copiam
mês após mês
ano após ano
pormenor a pormenor
acessório a acessório
tudo o que seja
necessário para ficar igual
par se possível ficar melhor ainda
ser a melhor
a melhor farsa?

Quem sente não esquece...e se diz que sim é mentiroso


07.10.27


Cansei...

Mais não
Cansei de lutar
de ferir as minhas mãos no gelo que é a tua alma
Cansei da dor
da incompreensão
Cansei
de cavalgar errante
contra os moinhos de vento
"A sorte protege os audazes"
De que? De quem?
A sorte protege os estúpidos
aqueles que não arriscam
aqueles que não criam
Quem ousa ser
é tristemente apanhado nas malhas
Quem ousa falar
é silenciado pelo ruído ensurdecedor
da multidão
Venham a mim todos aqueles
que acreditam que viver dá trabalho
Mas que vale a pena cada segundo, cada minuto
Juntemos as mãos e caminhamos passo a passo
até ao horizonte
o sorriso nos olhos diz tudo
quando já tudo foi dito
quando o nada nos alivia a alma
quando a ausência de estupidez
nos faz incrivelmente felizes,
fantasiosos e livres




quinta-feira, agosto 30, 2007

Único

Único

o que temos é unico

irrepetível

inigualável

dá trabalho é certo

mas não o queria com mais ninguem

Hábitos

Todos nós somos criaturas de hábitos
Bons e maus
Habituamo-nos
Acostumamo-nos a tudo
Desde o nascimento
Até à morte
a vida de um ser humano
não é mais que habituar-se
àquilo que lhe dão
àquilo que obtém dos outros
e dele próprio

Habituamo-nos a tudo,
ao riso, à alegria,
à tristeza, às lágrimas,
à fome, ao desalento.
Até nos habituamos
à nossa própria solidão
Podemos não gostar
Podemos até odiar
Mas tal como peixes seguindo a corrente
Nós avançamos assim mesmo
como se nada houvesse
que pudesse acabar com esse hábito.

Percorremos sempre os mesmos caminhos,
os mesmos passeios, as mesmas estradas
Frequentamos sempre
os mesmos lugares
convivemos sempre
com as mesmas pessoas
Teremos assim tanto medo
de conhecer mais alguém
de vivermos um dia
diferente do outro
de fugirmos à rotina
aos nossos hábitos
aos nossos costumes.

94.11.03

Tudo porque amanhã...

Hoje
Eu quero gritar
E correr e voar
Quero chegar além do impossível
Quero viver os meus sonhos
Concretizar os meus desejos
Levem-me até ao mar
Quero mergulhar nele
Quero viver a vida contida nele
Tudo porque amanhã...

Hoje
Quero beber, beber até cair
Deixem-me fazer tudo
por tudo
Quero fazer o pino
Rodar e rodopiar
Dançar até não poder mais andar
Deixem vir a chuva até mim
Quero molhar-me nela
Quero bebe-la
Quero viver a vida num minuto
num segundo
Tudo porque amanhã...

Hoje
Quero amar
E ser amada
Conseguir a felicidade à muito esperada
quero rir
quero sonhar
e viver
muito
Viver para sempre
Quero chorar de tanta dor
Tudo porque amanhã
já não acordarei...

94.11.03

Algures...

Algures,
além desta vida
deste corpo onde nos encontramos encerrados
Somos espíritos livres
Rebeldes
Pedimos a fama e a glória
dos nosso pequenos actos
Mas pedimos mais
Recusamos as prisões mentais
em que nos enfiam
Recusamos os falsos preconceitos
invenções de covardes
Recusamos ser rotulados
Apenas pedimos
Que nos deixem viver
Libertamos o espírito
Porque não o podemos fazer ao corpo
Viajamos
Sonhamos
Divertimo-nos
Na inconstância desta vida
Onde pelo que dizem
Tudo é relativo
É a relatividade a base de todos os nossos confrontos...


95.04.06

Diários

Andei em frente,
passei, passeei,
por vezes olhava para trás
mas eram só ecos
de passos antigos
nos paços esquecidos...
na areia
as pegadas sempre apagadas
pelo tempo e a água do mar

E o tempo passa,
longe, num passeio distante,
disse que queria envelhecer contigo
só aprendi com o tempo
e nesta idade
só tenho tempo para ti...
na areia
um relógio de sol
marca o tempo
um dia apagado
pela água do mar...

R.P.C

domingo, agosto 12, 2007

Pormenores

São sempre os pormenores que traem as pessoas
Por muito que as pessoas se esforcem
Por ser aquilo que nunca serão
Por parecer aquilo que gostariam de ser

Tanta esforço tanta farsa
E no fim são os pequenos pormenores
que deitam tudo a perder
que revelam aos outros a verdadeira face

Perdem a cara por não conseguirem ser
algo tão simples como educadas...




sábado, agosto 11, 2007

Nada dura para sempre

hoje caiu uma parte do meu mundo
existem aquelas coisas que sabemos que vão ser para sempre
que vão estar sempre lá aconteça o que acontecer
e de repente esse algo esse item deixa de existir
o mundo roda mais depressa
o chão sai dos nossos pés
e nós não percebemos porquê

porque é que nada dura para sempre
porque é que aquilo que mais temos de seguro se revela mera ilusão

sinto-me atordoada
como se a minha alma estivesse sentada à minha frente a olhar
para mim
para o meu desapontamento

dói-me como se fosse comigo
recuso-me a acreditar que algo eterno se desmorona assim
porque se acreditar
então tudo pode acontecer

e nada é sagrado nem imutável...

e não há certezas

nem finais felizes

e a realidade ganha mais uma vez

segunda-feira, agosto 06, 2007

The words beneath the songs

To a missing friend

Rise up my friend
Don’t fall down again
Look at the sky
And fly
Fly away so high
Follow your dreams
Follow your thoughts
I know will meet again
When you stop trying to fly
Over the rainbow alone
So afraid what people might say
But that's ok because we're only human
We’re strong enough
Our image at the mirror
Tel us all we need to know
Rise up
If you're tired of being what is expected
If you're becoming numb
Stop
Look at the sky
And smile
You win again
'cause you know what life tastes

No more lies
No more sorrow
No more envy

In the end what really matters is living
Is flying away

Don't forget your wishes
Open your eyes
And come with us
Fly over the rainbow so high

terça-feira, julho 03, 2007

Tempo

Preciso desesperadamente de tempo

Amizades

Ser amigo de alguém é difícil
Nem poderia ser diferente

Conhecer os amigos
Criar com eles momentos, frases, histórias
Empenhar o nosso tempo, a nossa pessoa
a ser neles o melhor de nós

por isso dói...
quando percebermos que também nos enganamos
que essa pessoa não sabe de nós aquilo que somos
o que pensamos

por isso custa tanto
aceitar que nos enganamos e que afinal a amizade inquebrável
não passava de acumulação de horas numa qualquer zona de conforto
que tanto temos a mania de criar

por isso que me desculpem os amigos
que ao lerem se vão sentir frustados
mas não quero mais amigos
não quero mais amizades
quero viver o tempo e o momento e só mais nada

dar-vos o meu tempo é dar-vos o melhor de mim
e é só o que tenho para vos dar

não quero mais cortinas a descer
porque depois não está lá ninguém

é frustrante
e incrivelmente estúpido
que no momento em que se pede ajuda a um amigo
o chão nos falte
e nos estatelemos violentamente contra a verdade

Dizem que quem tem muitos amigos é porque não tem nenhum...
Eu nunca quis muitos amigos

Eu sempre quis aquele amigo cujo telefone está na marcação rápida
que ouve o nosso olá
e sabe no instante mais de nós do que queremos contar

Os amigos têm defeitos e nós gostamos deles mesmo assim
por isso é difícil entender quando os defeitos
conseguem superar tudo o resto
e no final
só a sensação de perda
de impotência
perante o desconhecimento do outro
do desinteresse
porque está tudo bem
e não se passou nada...

segunda-feira, julho 02, 2007

Desabafos

(dissertação sobre uma tarde de domingo)


A necessidade de falar, de desabafar
De procurar a compreensão dos outros
De encontrar explicações
De percebermos o que raio nos aconteceu naquele momento...
Desabafar permite exorcizar os nossos receios
Contar aos outros sobre os outros e sobre nós....
Esperando encontrar as respostas que estão mesmo à nossa frente e não queremos ver

Entregamos a nossa alma
e esperamos que nos digam que temos razão
que nós é que sabemos
mas para isso é preciso primeiro sabermos
do que fizemos ou dissemos
assumirmos que erramos
Às vezes por amarmos demais
por querermos demais
às vezes simplesmente porque somos assim mesmo...

"que facil es abrir tanto la boca para opinar..."

Espanta-me a tamanha facilidade com que algumas pessoas
conseguem ter opiniões sobre tudo e sobre todos
sobre o que conhecem e sobre o que desconhecem e nem fazem a mínima ideia




Génios

todos temos os nossos génios...se são bons ou maus cabe aos outros opinar e a nós decidir

Regresso a casa

A nossa casa é onde nos sentimos bem...
E eu ainda não encontrei a minha

Procuro incessantemente o lugar
onde em sinta em paz

corro na praia
enterro os pés na areia o mais que posso
fecho os olhos e abro os braços
deixo o calor do sol acariciar-me o rosto
e espero
um segundo
mil segundos
cem horas e nada
nada acontece
abro os olhos
e respiro fundo
olho a paisagem à minha volta
e sorrio
tristemente sei que ainda não cheguei a casa
ainda não encontrei o que levo anos procurando
mas por uns instantes olvido-me da busca
e capto o momento
o instante em que sorri
e senti-me em casa...